Jornalistas ficam feridos em protesto em Porto Alegre

PM usou bombas de efeito moral para conter a manifestação

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2014 | 16h04

PORTO ALEGRE - Quase ao mesmo tempo em que milhares de holandeses e australianos faziam um desfile festivo no caminho do centro de Porto Alegre ao estádio Beira-Rio, saudados por papel picado e aplausos dos brasileiros, cerca de 150 manifestantes convocados pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público se viram cercados pela Brigada Militar e desistiram de caminhar pelas ruas para protestar contra a Copa do Mundo, nesta quarta-feira. A polícia chegou a usar bombas de efeito moral. Alguns estilhaços feriram três jornalistas e dois manifestantes.

Preocupada com a possibilidade de repetição da manifestação de quinta-feira passada, quando houve depredações, a Brigada Militar montou uma operação de guerra para se antecipar a atos da vandalismo. Sem militantes do PSOL e do PSTU, que desistiram de participar do protesto para não serem confundidos com black blocs, o grupo de manifestantes foi bem menor que o das vezes anteriores e se reuniu na Praça Argentina, de onde não pôde ir a lugar algum porque todas as ruas próximas foram bloqueadas por pelotões de policiais militares.

Com margem de manobra para andar pouco mais de uma quadra em cada rua até encontrar os policiais, os manifestantes entraram na Avenida João Pessoa e tomaram o rumo da Avenida Salgado Filho. Quando se aproximaram da barreira, fizeram menção de forçar a passagem e foram demovidos por bombas de efeito moral.

Os estilhaços acabaram ferindo os jornalistas Daniel Fávero, do Terra, Cristiano Soares, da Rádio Guaíba, e um fotógrafo, não identificado, além de duas manifestantes, todos com cortes em alguma parte do corpo. Uma mulher que passava pela rua sofreu um ataque de pânico. Amparada por pedestres, pediu para sair do local e demonstrou pavor ao ver um mascarado se aproximando. "Tirem ele da minha frente", gritava, antes de ser levada para longe dos manifestantes pelas pessoas que prestaram ajuda.

Sem ter ruas para percorrer, os manifestantes fizeram um ato público na confluência das Avenidas João Pessoa, Osvaldo Aranha e André da Rocha. Provocando os policiais, os jovens gritavam o refrão provocativo "que vergonha deve ser, espancar trabalhador para ter o que comer". E para a presidente da República, repetiram algumas vezes o verso "Oh, Dilma, que papelão, Copa Fifa é só polícia e repressão".

Algumas pessoas que se alternaram no comando da manifestação usando microfones de um carro de som reiteraram que "não teve Copa para o povo da periferia" e advertiram que "neste ano vai ter eleição e nossa resposta vai ser na rua de novo". Quando um orador afirmou que a tática do Bloco de Luta não prevê depredação, ouviu-se o grito "pelego" do meio da plateia. Depois de um deles anunciar que o grupo se dispersaria no Largo Zumbi dos Palmares, a cinco quadras de distância, a manifestação seguiu para o local sem ser interrompida pelos policiais. 

No caminho, foram vistos jovens mascarados catando pedras nas ruas e comerciantes fechando suas lojas rapidamente, mas não houve novos incidentes.

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