Jovem atropela e mata três na Rua Clélia, Lapa

Testemunhas dizem que estava em alta velocidade, mas condutor responderá por homicídio culposo

Gabriela Gasparin, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 00h00

Um atropelamento por volta da 1 hora de ontem, na altura do 1.500 da Rua Clélia, na Lapa, zona oeste, fez três mortos. O vendedor Smayler Gati Robles de Paula, de 23 anos, condutor de um Vectra prata, foi indiciado pela polícia por homicídio culposo (sem intenção) e vai responder ao processo em liberdade. As vítimas, Lidiane Amorin de Oliveira, de 21 anos, Andréia Ferreira dos Santos, de 22, e José Wilson da Silva, de 35, atravessavam a rua em direção à casa de shows Sampa Hall, quando foram atingidos pelo automóvel, que estava em alta velocidade. Eles tinham acabado de comer no Habib?s, em frente à casa noturna. Na hora do atropelamento, já estavam a um metro da calçada do Sampa Hall.O consultor de vendas Ricardo Damasceno Guimarães, de 28 anos, namorado de Andréia, atravessava a rua de mãos dadas com ela na hora do acidente, mas não sofreu arranhão. "Eu estava um passo à frente deles", diz o rapaz. "Na hora que vi o carro, tentei puxar a mão da Andréia, mas não deu tempo. Era para eu ter morrido junto."Com o impacto, o corpo de Lidiane foi arremessado a mais de três metros de altura e bateu numa placa de trânsito do outro lado da rua, que ficou amassada. Segundo Guimarães, quando eles atravessaram, o farol tinha acabado de abrir. "Ele nem chegou a parar no farol. Vinha na faixa da direita em alta velocidade. Quando estava perto da gente, chegou a frear. No entanto, deve ter pensado que dava tempo de passar e acelerou de novo. Foi quando o motorista jogou o carro para a esquerda e pegou neles", conta.Depois de atingir as vítimas, o Vectra ainda colidiu com um táxi que passava pela rua. O impacto jogou o automóvel em cima de um Gol verde estacionado. Com a força do choque, o Gol deslocou-se e bateu na traseira de outro carro estacionado, um Monza vermelho. Segundo testemunhas, depois disso, o Vectra foi ralando em outros veículos e parou 25 metros mais adiante, no final do quarteirão.As famílias das vítimas não concordam com a versão do acidente registrada na polícia. Nela, os pedestres teriam surgido de repente na frente do motorista. "Ele estava em alta velocidade. Foi negligência. Não pode ser indiciado por homicídio culposo", disse o irmão de José Wilson da Silva, o administrador José Cleide Perene, de 37 anos."Estou inconformado. Vamos fazer tudo o que pudermos para um julgamento justo", disse o irmão de Andréia, Hélio Eugênio dos Santos, 26 anos, gerente comercial. Procurada pela reportagem, a família do motorista não quis falar. O advogado de Robles de Paula, Marcos Soares, afirmou não ter mais informações pois o caso ainda está sendo apurado.A morte de Lidiane, José e Andréia pôs fim a dois namoros e a uma amizade de mais de quatro anos. Os quatro participavam de uma banda marcial, na zona leste. Elas desfilavam também como passistas na escola de samba X-9 Paulistana.

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