Jovem baleada e estuprada reconhece suspeito preso no PR

Homem foi preso nesta manhã no litoral paranaense; estudante o reconheceu por uma foto levada pela polícia

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2009 | 18h50

A jovem M.P.L., de 23 anos, reconheceu o homem preso na manhã desta terça-feira, 17, acusado de tê-la baleado e estuprado, além de ter matado seu namorado, o estudante de direito Osíris Del Corso, de 22 anos, no fim de janeiro. O suspeito foi detido no Balneário Santa Terezinha, município de Pontal do Paraná. O pai da moça, Lourival Pegorare da Silva, disse que ela viu a fotografia do suspeito. "Reconheceu na hora", garantiu.   Veja também: Jovem pode deixar hospital na semana que vem Imagem com retrato falado do suspeito Jovem baleada e violentada está paraplégica DNA vai ajudar na busca Homem não disse que era guia turístico      Em relato aos bombeiros, a jovem disse que, no dia 31 de janeiro, por volta das 17h30, o casal foi abordado por um homem quando percorria uma trilha do Morro do Boi em direção à Praia dos Amores. Na tentativa de defendê-la de um estupro, Del Corso recebeu um tiro no peito e morreu. Ela também foi atingida por um tiro nas costas. O agressor desapareceu, mas, por volta das 21 horas, retornou e a violentou. O casal somente foi encontrado na tarde do dia 1º de fevereiro.   Em uma nota, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná informou que a prisão foi feita após a polícia conseguir uma ordem judicial. No entanto, a identidade do suspeito não foi revelada e permanecerá em sigilo até que as provas confirmem a autoria do crime. A polícia evitou fazer qualquer comentário sobre a prisão. Até o fim desta tarde, o suspeito permanecia na delegacia de Matinhos, no litoral paranaense. Informações não oficiais apontam que ele é de Curitiba e desceu ao litoral para fazer vendas na praia durante a temporada.   Ele foi preso em um quarto alugado e tem aparência semelhante à do retrato falado divulgado pela polícia: cerca de 1,85 metro de altura, aproximadamente 100 quilos e calvo. Segundo o pai da jovem, o trabalho da polícia foi muito minucioso no reconhecimento do suspeito para que não fosse cometido nenhum engano. "Já faz tempo que (a polícia) vem trazendo várias fotos de pessoas muito semelhantes e ela não reconheceu em função de algumas diferenças, de pequenos detalhes", acentuou. "Mas quando apresentou a foto desse cidadão ela chegou a se emocionar, reconheceu na hora."   De acordo com Silva, depois foram apresentados vídeos e a voz do suspeito. "Ela está convicta, não tem dúvidas do que está dizendo, porque ela conviveu nessa tragédia muitas horas e não esquece a imagem dele", reforçou. Bastante sereno no falar, o pai da jovem destacou que espera apenas que "a justiça seja feita". "Desde o início acreditei no trabalho das autoridades e deixei que elas fizessem tudo, pois eu ia cuidar da saúde da minha filha", afirmou. "A gente respeita o que está dentro da lei e acredito que ele vai pagar pelos meios legais, constitucionais."   Ele disse que o único sentimento em relação ao suspeito era o de alívio. "É um alívio para nós e para a sociedade de um modo geral, porque esse rapaz estava no meio da sociedade e a qualquer momento ia novamente prejudicar outra pessoa inocente." A jovem, que teve a coluna vertebral e o pulmão atingidos por tiros, está se recuperando em um quarto do Hospital Vita, em Curitiba. Os drenos torácicos foram retirados e a expectativa é que ela tenha alta na próxima semana. De acordo com o pai, a moça também se mostrou aliviada com a notícia da prisão do suspeito. "Ela perdeu uma pessoa que gostava muito e perdeu muito de sua saúde", disse Silva.   Segundo o pai, um dos dedos dos pés da filha chegou a se mexer, mas como reflexo da musculatura. "Não foi por vontade própria", lamentou. "Foi muito grave a lesão na medula." Ele acentuou, no entanto, que a família não perde a fé em Deus e espera que ela volte a andar. "Sabemos que é difícil, sabemos que há um trabalho muito longo pela frente, mas estamos otimistas em relação a um resultado positivo", afirmou.

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