Jovem baleada em Moema pede ajuda para voltar a andar

A família de Priscila Aprígio, de 13 anos, vítima de bala perdida durante assalto a uma agência do Itaú, em Moema, na zona sul de São Paulo, na quarta-feira, 28, está preocupada com a possível alta da adolescente - confirmada pelo hospital - nos próximos dias. Isaías Joaquim da Silva, pai da menina, teme que a sua recuperação fique comprometida com a decisão, pois a casa onde a família mora não oferece estrutura para atendê-la, além de não ter sido definido um programa de fisioterapia e de acompanhamento para ela.Priscila está paraplégica, e os médicos do Hospital Alvorada afirmaram que dificilmente ela voltará a andar. "A coisa que ela mais quer, e que a família também deseja, é deixar o hospital. Agora, por sua condição de saúde, precisaria levar equipamentos e, no mínimo, dois enfermeiros para cuidar dela", disse Silva. Ele contou que a filha faz fisioterapia no hospital desde sábado, 3, e se recupera bem, mas sente muitas dores nas costas.Em nota, o banco Itaú disse que acompanha os quadros clínicos das vítimas e que vai "oferecer assistência para que possam superar este momento crítico."A menina conversou com o Estado, no fim da tarde de segunda-feira, 5, pelo telefone. Demonstrou ter consciência de que poderá ficar paraplégica definitivamente, mas reiterou que não vai perder a esperança e vai se esforçar na fisioterapia. "Além da família, dos amigos e Deus, a minha auto-estima é muito boa e eu nunca me deixo abater", disse. "Tenho muita fé, esperança em voltar a andar, mas, independentemente disso, meus estudos não vou abandonar jamais", afirmou Priscila, que sonha ser enfermeira.ApeloEla agradeceu a cadeira de rodas que ganhou de um senhor de São Bernardo do Campo e fez um apelo: "Meus pais estão sem emprego, e onde moro não tem nenhuma condição de eu viver do jeito que estou. Sou muito jovem, preciso de toda a ajuda que puderem me dar para voltar a andar."A menina mora com os pais em Embu, na Grande São Paulo. É a menor e a mais simples das casas de uma longa ladeira, rota de ônibus escolares - nenhum adaptado para deficientes.Segundo o pai de Priscila, ele e seis irmãos herdaram a casa, o que complicaria uma reforma. Priscila pediu que ficasse registrado um recado ao sargento Marcel, da Polícia Militar, que a socorreu. "Queria agradecer pela força que ele me deu. Ele me ajudou muito com todas as suas palavras naquele momento. Falava que ia me deixar viva, que morreria ali por mim. Disse que me amava e ele nem me conhecia. Foram todas essas palavras que me fizeram viver." Ela agradeceu também o "excelente atendimento" dos médicos, enfermeiros e funcionários do hospital.

Agencia Estado,

06 de março de 2007 | 10h12

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