Jovem busca ajuda para familiares ilhados em distrito de Mariana

Resgate só poderia ser feito com helicóptero; pessoas que estavam em uma casa levada pela lama gritaram avisando que estavam bem

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2015 | 22h17

Com uma lista de dez nomes na mão, em um papel sulfite dobrado ao meio, a estudante Camila Aparecida Gonçalves, de 19 anos, chegou de carona no centro de Mariana para pedir ajuda aos bombeiros. Tentava explicar para um major sua história.

“Lá em Pedras (distrito de Mariana), onde mora meu tio, a enxurrada passou e levou a casa. Mas todos eles se salvaram. São dez pessoas. Não dá para chegar lá, precisa de ajuda.”

A descoberta dos sobreviventes foi aos gritos. Quando os moradores começaram a se recuperar da tragédia e sentir falta de amigos, foram até o lugar onde vivia o tio de Camila. Só havia lama. A primeira hipótese foi de que a enxurrada havia levado todos. Mas depois alguém começou a gritar. 

“Eles gritaram que estavam bem, que eram dez pessoas, falaram todos eles e pediram ajuda, dizendo que não conseguiam passar. Também não conseguimos passar. Então corri para pedir ajuda”, disse a estudante. 

“Os bombeiros falaram que só dava para chegar de helicóptero. Então mandaram eu vir aqui no centro”, contava a estudante. “Agora vamos para a sede da Samarco, onde estão saindo os helicópteros, para eu mostrar o lugar aos bombeiros.”

A jovem ainda teve de esperar o término da entrevista coletiva sobre o caso para conseguir apoio aéreo. Os soldados e sargentos ouviram e se sensibilizaram com a história. Pediram que ela aguardasse, pois precisavam da autorização dos superiores para liberar o voo - e eles estavam todos envolvidos com a imprensa.

Saiu da cidade às 17 horas, faltando apenas uma hora para o pôr do sol, quando os sobrevoos seriam cancelados. Sem sinal de celular na noite desta sexta-feira, 6, não foi possível confirmar se o resgate pedido pela estudante deu certo.

Mais conteúdo sobre:
MarianaSamarcoBento Rodrigues

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.