Jovem de 15 anos é morto durante tiroteio envolvendo militares no Complexo da Penha

Adolescente chegou a ser socorrido por uma ambulância do Exército e levado ao Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu

Agência Brasil,

27 de dezembro de 2011 | 08h58

SÃO PAULO - Um jovem de 15 anos morreu na noite de segunda-feira, 26, depois de ser baleado em troca de tiros envolvendo militares do Exército e criminosos no Complexo da Penha, na zona norte da cidade do Rio. O conjunto de favelas, assim como o vizinho Complexo do Alemão, está ocupado por 1,8 mil homens do Exército desde novembro de 2010.

Segundo o coronel Malbatan Leal, chefe da comunicação social da Força de Pacificação que atua nos dois conjuntos de favelas, militares faziam uma patrulha de rotina na localidade do Mirante da Chatuba, quando avistaram três pessoas em atitude suspeita.

De acordo com ele, os militares tentaram abordar os suspeitos, mas eles fugiram e começaram a atirar contra a patrulha. "O comandante dessa patrulha determinou que eles parassem. Isso não ocorreu. Ele realizou disparos de advertência para poder intimidar o pessoal. Mesmo assim, eles não obedeceram e continuaram [a atirar]. A partir daí começaram os disparos de autoproteção [por parte dos militares] contra a ameaça", disse o coronel.

Baleado durante o tiroteio, o jovem de 15 anos, identificado como Abraão da Silva, chegou a ser socorrido por uma ambulância do Exército e levado ao Hospital Getúlio Vargas, mas acabou morrendo. Nenhuma arma ou droga foi apreendida com a vítima.

Mesmo com os 13 meses de ocupação dos complexos do Alemão e da Penha, que, segundo o governo do estado do Rio, pacificou os conjuntos de favelas, os militares ainda têm enfrentado homens armados. Em setembro, um grande tiroteio assustou moradores dessas comunidades. Em novembro, um militar ficou ferido depois de ser atacado por criminosos.

Segundo o coronel Malbatan Leal, houve avanços no controle da criminalidade nos dois complexos, mas os conjuntos de favelas ainda não estão "pacificados". "Ao longo de um ano, muita coisa melhorou. O cenário mudou completamente em relação ao que era. Hoje patrulhamos todas as áreas, o que antes não acontecia. Mas seria leviandade de nossa parte dizer que está pacificado. Não está. Tanto é que ainda ocorrem situações como as que aconteceram", disse o coronel.

Os complexos do Alemão e da Penha foram ocupados por determinação do governo fluminense, com o objetivo de instalar uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) nessas áreas. A previsão inicial era que a UPP fosse implantada em outubro deste ano. Mas o governo fluminense decidiu, com apoio do governo federal, manter o Exército na região até junho do ano que vem. AS informações são da Agência Brasil.

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