Jovem é agredido e morto a tiros na porta de boate em Goiânia

Estudante de Farmácia e amigo foram baleados em briga com quatro jovens; autor dos disparos segue foragido

Rubens Santos, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2009 | 21h33

A onda de violência em Goiânia, que em 2008 fez mais de 420 mortos, deixou mais uma vítima. O estudante de Farmácia Higor Bruno Borges Esteves, de 23 anos, foi morto na madrugada de domingo, na porta de uma boate no bairro nobre de Setor Bueno, em Goiânia. Ele foi vítima de um disparo após ter sido cercado, junto com um amigo, por quatro rapazes na saída da Santa Fé Music Hall. O amigo de Higor, Marcondes José da Silva, foi atingido de raspão no abdome.   Uma câmera de segurança, instalada na porta de saída da boate goiana, registrou o momento em que Higor e Marcondes foram cercados por Gedielson Rodrigues, Olcimar Soares Eduardo, Fabiano Alves Neia e Jeferson Henrique Silva - todos com passagem pela polícia. "Houve confusão entre o Higor e os quatro rapazes no interior da boate", disse a titular da Delegacia de Homicídios, Adriana Ribeiro de Barros. "Alguém se defende acusando o estudante de mexer com uma garota. Depois agrediram e atiraram", afirmou.   A prefeitura de Goiânia informou que a boate Santa Fé Music Hall não tem alvará de funcionamento. A casa noturna, localizada no cruzamento das avenidas T-1 com T-6, já foi autuada por duas vezes, no ano passado, por funcionar sem autorização legal.   Conforme as imagens gravadas pelo circuito de segurança, após troca de socos na porta da casa noturna, Soares mandou Rodrigues buscar uma arma, calibre 380, dentro de um carro. Em seguida, apontou com o dedo para a cabeça de Higor e mandou Rodrigues atirar. "Foram mais de 20 tiros todos disparados a esmo", falou a delegada. "Há balas cravadas nos muros, portas e paredes da boate e da vizinhança".   Rodrigues, com passagem na polícia por homicídio e tráfico, segue foragido. Os outros três rapazes foram localizados e presos. Soares tem mandado de prisão expedido pela Polícia Federal, registros por furto, estelionato e falsificação de dinheiro. Silva e Alves já foram fichados por estelionato e tráfico.   Nesta segunda-feira, 12, Higor foi enterrado no município de Edeia, a cerca de 120 km da capital goiana. O amigo dele, Marcondes, segue internado no Hospital de Urgências de Goiânia.   Segurança   As agressões e o assassinato do estudante foram condenados pelo governador de Goiás, Alcides Rodrigues, que esteve no enterro de Higor. Segundo o governador, o Estado está empenhado em elucidar o caso e também em "eliminar" a onda de violência.   No ano passado, além dos mais de 420 assassinatos registrados, os crimes de furto e roubo de veículos cresceram 48,9%, só em Goiânia. A maioria das mortes, segundo a Delegacia de Homicídios, foi motivada por "acertos" do tráfico de drogas ou questões banais, como brigas de trânsito e supostas ofensas, como o caso de Higor.   Apenas no sábado, a Polícia Militar encontrou os corpos de três pessoas assassinadas a tiros em uma fazenda próxima a Rio Verde, a cerca de 240 km de Goiânia. Foram mortos o dono da fazenda, Aluízio Vieira Arantes, de 49 anos, a mulher dele, Roneide Aparecida de Queiroz, de 49, e o funcionário Vilmar José de Lima, de 32. A polícia investiga o crime.

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