Jovem está mais exposto à violência fora das metrópoles

Cidades do Norte e Nordeste têm pior desempenho em levantamento; São Paulo é capital mais bem avaliada

estadao.com.br,

24 Novembro 2009 | 12h11

Estudos do Ministério da Justiça (MJ) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados nesta terça-feira, 24, indicam que o jovem que vive nas grandes metrópoles do País está menos exposto à violência do que aquele que reside em cidades menores.

 

Segundo a pesquisa, dos 266 municípios com mais de 100 mil habitantes, apenas 10 apresentam um elevado grau de vulnerabilidade dos jovens de 12 a 29 anos à violência - e nenhum é capital, embora alguns pertençam às regiões metropolitanas de seus Estados.

 

De acordo com os dados, Itabuna (BA), Marabá (PA), Foz do Iguaçu (PR), Camaçari (BA), Governador Valadares (MG), Cabo de Santo Agostinho (PE), Jaboatão dos Guararapes (PE), Teixeira de Freitas (BA), Serra (ES) e Linhares (ES) são as cidades onde os jovens brasileiros estão mais expostos à criminalidade.

 

 

 

Já os municípios de São Carlos (SP), São Caetano do Sul (SP), Franca (SP), Juiz de Fora (MG), Poços de Caldas (MG), Bento Gonçalves (RS), Divinópolis (MG), Bauru (SP) e Jaraguá do Sul (SC) registram os menores Índices de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ). São Paulo (SP) é a capital com melhor posição no ranking, em 192ª lugar. O Rio de Janeiro (RJ) figura na 64ª posição; Belo Horizonte (MG) na 105ª; Brasília (DF) em 172ª e Porto Alegre (RS), 161ª.  

 

PERFIL

 

O índice mostra ainda que jovens com idade entre 19 e 24 anos têm mais chances de morrer por causa da violência no Brasil. Em seguida, pessoas na faixa etária entre 25 e 29 anos e, depois, entre 12 e 18 anos, estão mais suscetíveis a serem vítimas da criminalidade.

 

 

De acordo com a pesquisa, há uma relação direta do índice com o perfil social do jovem, porque pessoas que não tinham atividade remunerada ou não estudavam, na faixa entre 19 e 24 anos, foram o grupo no qual o IVJ é mais elevado. Jovens que vivem em condições precárias de moradia, como favelas, também são mais expostos à violência.

 

Os municípios com menos verbas destinadas à segurança pública também são os considerados os mais violentos para os jovens. Nas cidades onde o índice é considerado muito alto, o valor investido na área é de R$ 3,7 mil por habitante, na média, enquanto em locais onde o IVJ é menor o investimento chega a R$ 14,4 mil.

 

COTIDIANO

 

Levantamento realizado pelo Instituto Datafolha, citado no estudo, constatou que quase um terço da população jovem sofre presença constante da violência em seu cotidiano. Dos jovens entrevistados, 31% admitem ter facilidade para a obtenção de armas de fogo. Além disso, 64% dos entrevistados são expostos a algum risco ou história de violência e costumam ver pessoas (não policiais) portando armas.

 

A pesquisa foi realizada com 5.182 jovens de 12 a 29 anos, de ambos os sexos, de 31 municípios selecionados em 13 Estados. Metade da população jovem entrevistada declara presenciar violência policial, sendo que, para 11% dos entrevistados, essa violência é "comum." Dos entrevistados, 88% afirma já ter visto corpos de pessoas assassinadas em algum lugar. Cerca de 8% afirmam, ainda, que pessoas próximas a eles foram vítimas de homicídios.

  

REPERCUSSÃO

 

Renato Sérgio de Lima, secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explicou que o índice de vulnerabilidade abrange vários dados socioeconômicos como número de homicídios, escolaridade, acesso ao mercado de trabalho, renda e moradia. "Violência não é só crime, mas também uma série de outros fenômenos, como falta de escola, pobreza, desigualdade, acidente de trânsito. Isso compõe o cenário em que esses jovens vivem", afirmou.

 

Para o ministro da Justiça Tarso Genro, que participou da apresentação do estudo, a pesquisa derruba determinados mitos, como o de que o Rio de Janeiro tem a situação mais vulnerável. "O Rio tem problemas graves, mas a pior situação está no Nordeste, que tem indicadores sociais baixos, poucos recursos para aplicação em sistemas de segurança pública e poucas políticas preventivas, que agora estão começando com a adesão de dezenas de municípios ao Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania)", afirmou.

 

Genro e Lima consideraram que, embora graves, os dados mostram que a situação não é de caos absoluto. "Podemos vencer a violência e a criminalidade concentrando-nos na juventude e com foco territorial e em determinados setores sociais mais vulneráveis", afirmou Genro. "O estudo revela que temos 43 municípios com alta e muito alta vulnerabilidade, mas, por outro, lado revela que é um problema pode ser enfrentado. Não significa o caos na segurança pública", disse Lima.

 

A pesquisa foi feita em parceria com o Instituto Sou da Paz, do Instituto Latino Americano das Nações Unidas para Prevenção ao Delito e Tratamento do Delinquente (Ilanud) e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). O Fórum Brasileiro de Segurança Pública é uma organização não governamental apartidária de suporte à gestão da segurança pública no País.

 

(Com Ana Conceição, da Agência Estado)

 

Texto atualizado às 14h57.

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