Jovem mata seqüestrador no cativeiro

Empresário foi abordado por parente; dominado, aproveitou cochilo para atingir criminoso a machadadas e fugir

Tatiana Fávaro, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2008 | 00h00

O empresário Pedro Ivo Torres de Souza, de 21 anos, conseguiu escapar do cativeiro em Americana (a 128 km de São Paulo), na noite de anteontem, após matar com três golpes de machado um dos seqüestradores, Robson da Silva Barbosa, de 39 anos, e dominar o proprietário da casa, Gamaliel Carlos Moraes, de 42, e a estudante de Psicologia Kaline Cantelli Boer, de 22, que usavam drogas.Souza foi seqüestrado na sexta-feira à noite, na frente da transportadora da família, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. O jovem foi abordado por Nilson de Matos, primo distante de seu pai, que prestava serviços gerais no local. De acordo com o empresário, ele estava acompanhado de um sobrinho, Alexandre de Matos, de 19 anos, e de Robson Barbosa, que já havia feito "bicos" como carregador na transportadora. Nilson e Alexandre Matos estão foragidos. "Quando vi o Nilson, não achei que existisse perigo. Só percebi quando os vi com um revólver", contou Souza ontem.A mulher de Alexandre Matos, Rosivânia Scarante, de 29 anos, também foi presa. Ela foi identificada como a mulher que levava alimento para o seqüestrado no cativeiro e, como Kaline e Gamaliel, foi indiciada pelos crimes de extorsão mediante seqüestro e formação de quadrilha. O empresário não foi indiciado pela morte de Barbosa. Segundo o delegado Claudiney Albino Xavier, seu ato foi considerado legítima defesa.CATIVEIROApós ser abordado na saída da empresa, Souza foi levado para um canavial, onde ficou até as 21 horas de sábado. "Dormi num lençol estendido no chão. Não me amarraram, não me agrediram. Mas me ameaçavam o tempo todo com aquele revólver."Os seqüestradores entraram em contato com a família no sábado de manhã e à tarde, pedindo R$ 200 mil, que não foram pagos. À noite, o refém foi levado para o cativeiro, uma casa de dois cômodos localizada na Vila Margarida.Entre 22 e 23 horas, Souza ouviu a respiração do seqüestrador que o vigiava mais forte e percebeu que o homem cochilava. "Ele já tinha ameaçado me matar, independentemente do pagamento do resgate. Nem sei o que pensei. Peguei o machado e, ajoelhado - porque de pé eu quase encostava no teto -, fui dando os golpes."Na seqüência, Souza pegou o revólver que estava com Barbosa e entrou na cozinha, onde Gamaliel e Kaline usavam drogas. "Não sabia quem eram, então levei os dois." Os três seguiram no Fox da jovem até o centro, onde o empresário pediu ajuda na Guarda Municipal. "Prendemos todos. Até então não havia bandido nem mocinho. Só quando o Pedro telefonou para a mulher dele é que soubemos que dizia a verdade. Foi emocionante", disse o subinspetor Charles Renato da Costa.

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