Jovem morto em Sydney tinha visto até 2014; família fará investigação paralela

Vítima morreu perto do prédio onde funciona o Consulado do Brasil em Sydney

Jorge Bechara, Especial para o Estado de S. Paulo

21 Março 2012 | 22h55

SYDNEY - Ana Luisa Laudisio afirma que seu irmão Roberto Laudisio Curti, de 21 anos, tinha visto válido até 2014 e "nunca ficou um dia sequer na Austrália em situação irregular". O jovem morto pela polícia no domingo estudava na Navitas English, no subúrbio de Bondi Junction. O colégio também confirmou, pela primeira vez, que a situação do aluno sempre foi absolutamente legal.

Apesar desse esclarecimento, muitas dúvidas persistem enquanto a polícia não divulga o resultado das investigações, com base em mais filmes de câmeras de segurança e no resultado da necropsia. Por isso, a família do brasileiro informou que contratará um escritório de advocacia, para realizar uma investigação paralela.

Laudisio é suspeito de levar um pacote de biscoito de uma loja de conveniência, às 5 horas de domingo (hora local). A polícia foi avisada e, meia hora depois, iniciou a perseguição ao brasileiro na área de King’s Cross, conhecida pela vida noturna. Cercado por seis agentes, ele foi alvo de pelo menos quatro golpes de uma arma Taser (pistola de eletrochoque).

Laudisio morreu perto do prédio onde funciona o Consulado do Brasil em Sydney. Como o Estado revelou nesta quarta-feira, 21, amigos e familiares afirmaram às autoridades brasileiras que a pessoa perseguida no único vídeo divulgado até agora não é o brasileiro - e ele também não seria o responsável pelo furto.

Segundo os funcionários da loja roubada, o ladrão estava usando uma camiseta branca, enquanto o suspeito perseguido e morto pela polícia estava sem camisa. A polícia tem as imagens do furto, mas não divulgou.

"Roberto tinha visto de estudante e fazia aulas de inglês, com planos de estender seus estudos para um curso superior. Ele era bem quisto e respeitado por todos os alunos e funcionários da escola", afirmou Richard Arkell, diretor-geral da escola de inglês Navitas. A escola está suprindo atendimento psicológico para os colegas, que ficaram chocados com o crime.

Ato. Ainda não ocorreram protestos oficiais na Austrália quanto à morte do brasileiro. Amigos e colegas esperam pelo avanço das investigações. No Brasil, mais de 12 mil pessoas já receberam convite pelas redes sociais para um protesto no dia 30, na frente do Consulado Geral da Austrália, na Alameda Santos, em São Paulo.

A ideia é que cada um dos participantes leve um pacote de biscoito para deixar na representação diplomática. "Roberto Laudisio não precisava pegar nada e tampouco roubar, e todos nós sabemos disso. Já que foi morto por um pacote de biscoitos, devolveremos o quanto pudermos de pacotes de biscoitos para este país de primeiro mundo que se chama Austrália", diz o convite para o protesto.

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