Jovem que atirou dentro de escola era fã de Hitler

Era um admirador de Adolf Hitler. Na tarde desta segunda-feira, na pacata cidadezinha de Taiúva, com pouco mais de 5.500 habitantes, 363 quilômetros a noroeste do Estado de São Paulo, Edimar Aparecido Freitas, de 18 anos, entrou na Escola Estadual Coronel Benedito Ortiz, empunhou um revólver e atirou 14 vezes.Seus alvos foram sete estudantes, a vice-diretora, o marido da zeladora. Então, girou a arma, encostou-a na própria cabeça e atirou. O corpo de Edimar foi sepultado neste terça-feira.A polícia tenta descobrir a procedência da arma que estava com o jovem e a razão do atentado. Por enquanto, os agentes sabem que ele era um adolescente retraído e obeso, que não gostava de ser chamado de "gordo". Os colegas disseram também que Edimar gostava de Hitler."Vamos identificar as pessoas mais próximas para analisar o comportamento dele e tentar entender os motivos do crime", disse o delegado de Taiúva, Marcelo Rodrigues Salvador.Ele começou a ouvir as funcionárias da escola nesta terça. As primeiras a depor foram a diretora Maria Luiza Gonçalves Oliveira e sua vice, Maria de Lourdes Jacon Fernandes. A vice-diretora levou um tiro de raspão numa das pernas. A zeladora Maria do Carmo Bernando de Souza, que viu Edimar cometer suicídio, deve ser a próxima a prestar depoimento.Segundo testemunhas, Edimar pulou o muro da escola, disparou e tentou fazer uma professora refém. Ela escapou se escondendo num banheiro. Depois, o jovem seguiu para a casa do zelador. Ali, Maria do Carmo socorria o marido ferido e um adolescente. Ela fechou a porta da sala e tentou chamar a polícia.Lembrou-se de trancar a porta da cozinha. Quando chegou lá, viu Edimar, que apontou o revólver em sua direção. "Implorei a Deus para que ele não atirasse." O adolescente apontou a arma para a própria cabeça e disparou.Além do revólver calibre 38 usado no crime e de uma faca, a polícia apreendeu 89 cápsulas de munição nos bolsos do jovem, que completou, nessa escola, o ensino médio em 2002. "Ele era um cara normal", disse um dos colegas, Carlos Alberto de Souza.No quarto do adolescente, os policiais encontraram outro revólver, calibre 22, uma espingarda e revistas alemãs. Nos últimos meses, Edimar proibira que a família entrasse no quarto."Os pais dele ainda não foram ouvidos. O tio, Agnaldo de Souza, informou que ele era calmo, não bebia e não fumava, e não imagina como o sobrinho conseguiu as armas", afirmou o delegado.Dos sete alunos atingidos, seis estão internados em Bebedouro, assim como o marido da zeladora, Antonio Augustinho de Souza. Em estado mais grave, Pedro Russo Júnior, de 18 anos, corre o risco de ficar paraplégico. Ele foi para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde passará por cirurgia.O episódio, raro no País, lembra outros ocorridos no exterior. Em abril de 2002, o alemão Robert Steinhaeuser, que havia sido expulso da escola, matou 18 pessoas e depois cometeu suicídio.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2003 | 20h52

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