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Jovem que matou colega pega 18 anos

Assassinato ocorreu dentro da Rádio USP, em outubro de 2005; defesa alegou insanidade e réu falou em suicídio

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

O ex-estudante de Jornalismo na USP Fábio Le Senechal Nanni foi condenado ontem a 18 anos de prisão pelo assassinato de Rafael Fortes Alves, seu colega de faculdade e com quem dividia uma república estudantil. O crime aconteceu na manhã de 14 de outubro de 2005 dentro da Rádio USP. Nanni foi ao local de trabalho da vítima e o matou com uma facada no peito. A decisão do 5º Tribunal do Júri da capital foi unânime.O julgamento durou cerca de 11 horas. Nanni, de 25 anos, respondia por homicídio duplamente qualificado: por motivo torpe (o fim da amizade entre eles) e por utilizar recursos que impossibilitaram a defesa da vítima. Segundo a sentença do juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, ele vai responder inicialmente em regime fechado. Na noite de ontem, foi encaminhado ao 2º Distrito Policial e hoje deve ser transferido para um Centro de Detenção Provisória (CDP)."Estou triste em dizer que estou alegre", diz a mãe da vítima, Maria Lúcia Fortes. "Não queria que outra família sofresse, mas foram quatro anos de esperança que a justiça fosse feita". Os advogados afirmaram que vão recorrer da decisão. "Era evidente que o Fábio tinha problemas. Mas infelizmente a decisão foi prejudicada por causa do clamor popular", diz a advogada Maria Adelaide França. A defesa manteve a tese de que o réu deveria ser considerado semi-imputável, pois sofreria de transtornos em decorrência de um abuso sexual sofrido quando tinha 10 anos. Os problemas teriam aumentado quando o menino tinha 12 e descobriu que era adotado.Nanni afirmou em seu testemunho que usaria a faca para se suicidar e queria que o amigo se sentisse culpado. No entanto, Rafael Fortes se recusou a lhe dar atenção e isso teria motivado o desentendimento. O réu disse só lembrar flashes daquele dia, como estar caído no chão imobilizado pelos seguranças e depois sendo levado num carro. Uma das testemunhas afirmou ter ouvido de Nanni que ele não se arrependia "porque ele roubou todos os meus amigos".Rafael teria sido a primeira pessoa para quem Nanni contou sobre o abuso sexual. Estabeleceu-se um vínculo de confiança entre eles e também com a namorada da vítima. Mas a relação ficou "sufocante" para o casal e o rompimento teria motivado os problemas, segundo dados do processo.

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