Jovem que recebeu córnea de João Roberto vê mar pela 1ª vez

Agora, Sueny Kellen está com visão nublada; já a menina Lariza teve complicações com a cirurgia nesta manhã

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2008 | 19h41

A adolescente Sueny Kellen, de 13 anos, viu nesta segunda-feira, 14, o mar pela primeira vez. Ela recebeu na quinta-feira uma das córneas do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, morto a tiros por policiais militares que confundiram o carro da sua mãe com o de assaltantes. A jovem e a mãe foram à praia do Leme, na zona sul.   De calça jeans e casaco, ela deixou as ondas tocarem seus pés e molhou as mãos. "Fiquei emocionada com o tamanho da praia", disse a menina. Sueny só sai de casa usando óculos escuros. Quando a recuperação estiver completa, ela terá 45% da visão do olho direito. Agora, segundo a mãe, a menina tem a vista nublada.   Kátia Regina teve rubéola na gravidez e Sueny nasceu sem enxergar. A cegueira foi constatada aos 8 meses de idade, quando teve início tratamento. Aos 4 anos, operou catarata nos dois olhos. Desde 2004, aguardava na fila do transplante.   Já os pais de Lariza Ludgero, de 8 anos, que recebeu a outra córnea de João Roberto, viveram uma manhã de susto. A pressão ocular da menina subiu e ela teve de ser levada às pressas ao consultório da médica que tem acompanhado Lariza. "Agora está tudo bem, mas ela terá de ser reavaliada na quinta-feira", disse o pai da menina, o motoboy Ricardo Ludgero.   Segundo Ludgero, desde a semana passada a família tem procurado, em vão, um dos medicamentos receitados - o Nyolol Gel 0,5 betabloqueador. "Meus amigos motoboys já rodaram as farmácias da zona sul e zona norte e não encontraram. Só conseguimos o medicamento em colírio. Mas ela lacrimeja muito e o remédio sai. O gel permanece por 24 horas, mesmo que ela chore", disse.   Ele fez um apelo a quem tiver o medicamento e puder doá-lo, para entrar em contato pelo telefone (21) 7895-8287.

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