Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Jovem símbolo do PAC morre em Manguinhos

Famoso por ter conhecido Lula, Christiano Tavares, de 15 anos, pode ter tido overdose

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2015 | 22h21

RIO - A Polícia Civil investiga a morte de Christiano Pereira Tavares, de 15 anos, após atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento em Manguinhos, na zona norte. A suspeita é de que tenha morrido por overdose. Em 2008, o jovem ganhou a atenção do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de ser fotografado nadando em uma poça de lama, aos 8 anos. Por causa da imagem, uma piscina foi incluída no projeto do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) na favela e ele virou uma espécie de símbolo.

O garoto teve dois encontros com Lula e com a então ministra Dilma Rousseff, já apontada como possível candidata à sucessão de Lula em 2010 - ambos na entrega das obras do PAC. Acabou ganhando o apelido de Lulinha. A morte, ocorrida em 4 de julho e revelada ontem pelo jornal Extra, expôs as dificuldades ainda enfrentadas pelos moradores de Manguinhos.

Christiano era o filho mais velho da faxineira Bianca Pereira, de 35 anos. Ela criou sozinha o menino, além das filhas Sthephanie Leah, de 14, grávida de seis meses, e Milhena, de 12.

Sem área de lazer na favela onde morava, o garoto aproveitou a poça formada pelo vazamento em uma tubulação de água para brincar - e foi fotografado. Por causa do registro e da aproximação com Lula, Christiano chegou a ganhar um curso de natação no Tijuca Tênis Clube, que abandonou porque a família não tinha como pagar transporte e alimentação.

Também deixou a escola, aos 13 anos, quando concluiria a primeira etapa do ensino fundamental.

No fim da noite do dia 3, Christiano chegou inconsciente à UPA, levado pela avó, Rita de Cássia Pereira. Morreu 40 minutos depois, já madrugada seguinte. Na unidade, dois painéis exibem o sorriso de Lulinha, famoso após os encontros com o ex-presidente.

Exames laboratoriais que deverão revelar a causa da morte ainda não ficaram prontos. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a morte de Lulinha. Amigos confirmam o consumo de drogas, como crack. “Ele morava comigo. Passou mal e levamos na UPA. Era um garoto muito bom, muito alegre. Está sendo muito difícil para nós. Não quero falar mais nada. Falar com você não vai trazer meu neto de volta”, disse a avó.

Dificuldades. Manguinhos tem o quinto pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Rio. É uma região marcada pela violência, a despeito da existência de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Polícia Militar desde janeiro de 2013. Segundo o IBGE, cerca de 37 mil pessoas habitam a favela, controlada pela facção criminosa Comando Vermelho (CV).

Sem ser incomodados, consumidores de crack se reúnem diariamente, às dezenas, sob o viaduto da Avenida Leopoldo Bulhões, apelidado de Faixa de Gaza. O lixo está acumulado nas calçadas. O cenário é de abandono pelo poder público. O Estado informa que, com o governo federal, investiu R$ 578 milhões e entregou 1.048 unidades habitacionais, biblioteca, UPA e escola. 

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