Jovens carentes usam arte para falar com os jovens ricos

Setenta jovens de comunidades carentes do Real Parque e do Jardim Panorama vão mostrar através da arte o contraste que observam no lugar onde vivem: favelas cercadas de prédios de luxo, no bairro do Morumbi, na zonal sul de São Paulo. Eles têm entre 12 e 24 anos e durante 6 meses prepararam o espetáculo O Encontro com o Ser o Mano", que estréia neste sábado, às 18h30, no Centro Cultural e Comunitário Casulo, com entrada franca.Através da história de um garoto rico que precisa entrar na favela para procurar ajuda, a peça traça um panorama de como convivem em um mesmo bairro jovens de diferentes realidades. "Muitos ´boys´ têm medo de entrar na favela porque não a conhecem direito" afirma William Francisco da Silva, de 14 anos, que interpreta o menino rico na peça. "Não é nada daquilo que eles vêem na televisão". Jonas Nogueira Jr., coordenador artístico e pedagógico do projeto Casulo, conta que o espetáculo é um diálogo entre o "mano" e o "boy". "É uma grande reflexão sobre igualdade e identidade", afirma. A peça é a primeira parte de uma trilogia que ainda está sendo finalizada pelos jovens. A segunda parte vai tratar do "olhar para fora", a relação dessas comunidades com outras do país e do mundo. A última parte é a reconstrução, uma busca de caminhos para uma maior integração entre as diferentes realidades. Os atores foram treinados em oficinas oferecidas pelo projeto Casulo, uma parceria do Instituto de Cidadania Empresarial com a Prefeitura de São Paulo. Eles se encontravam semanalmente, sempre aos sábados, das 10 às 13 horas. Os próximos passos do projeto são ambiciosos: oferecer cursos de formação de atores, músicos, produtores e administradores para os membros da comunidade, através de parcerias com faculdades, buscar aproximação com instituições da região, como escolas de línguas e clubes, e abrir espaço para a participação de jovens não-carentes do Real Parque e Jardim Panorama. "Alguns deles já estão procurando a oficina", disse Jonas. A intenção é que o Casulo caminhe com as próprias pernas a partir de 2008, administrado pelos jovens carentes capacitados nas oficinas e cursos de formação. Mas enquanto o futuro não chega, já há conquistas a se comemorar . Uma delas é o lançamento, no próximo dia 12, da pesquisa "A Real do Parque", realizada por jovens bolsistas da comunidade sobre as condições de vida ali. Outra, é o aumento da auto-estima e da segurança dos participantes das oficinas. "Eles já estão diferentes: aumentou a sensibilidade, a percepção e facilidade de expressão", diz Jonas. O teatro do Centro Cultural e Comunitário Casulo (rua Paulo Borroul, 100, Real Parque) tem capacidade para 150 pessoas. O espetáculo será apresentado nos dias 7, 8 e 14 de agosto em dois horários: às 17h e às 18h30. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente no Centro Casulo das 14 às 16 horas.

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