Jovens de classe média são presos arrombando Banco 24H

Dois adolescentes de classe média alta foram presos na madrugada de hoje quando tentavam arrombar um Banco 24 horas, atrás do Hotel Le Meridién, no Leme, zona sul da cidade. O alarme disparou e eles foram detidos. A dupla estava com rádios de comunicação e fazia contato com outra parte do bando. Os garotos, que não tinham habilitação para dirigir, estavam com o carro da mãe de um deles. A polícia investiga se eles fazem parte da quadrilha de Casinho, Xexéu e Maranguape, jovens de classe média alta, filhos de empresários, que respondem a inquérito por roubo de caixas eletrônicos.Os estudantes Eric Milton Cunha Nunes, de 18 anos, e B.M.S., de 17, haviam arrombado a cabine do Banco 24 horas, desarmaram o alarme e haviam começado a abrir com pés de cabra o cofre do caixa. Eles não sabiam, no entanto, que a cabine era monitorada por uma empresa de vigilância, que alertou a Polícia Militar. Enquanto parte da quadrilha ficava numa esquina da Rua Gustavo Sampaio, a fim de avisar se havia alguma patrulha nas proximidades, um carro da PM seguiu pela contramão e surpreendeu os dois adolescentes. O resto do bando escapou.Na Delegacia de Roubos e Furtos, onde foram autuados, Eric contou que foi o primeiro assalto de que participou e que agiu por influência de B.M.S. "Dei mole. Fiz de bobeira, por empolgação. Fui pela cabeça dos outros", afirmou. O rapaz mora numa cobertura em Copacabana, pratica jiu-jítsu e surf. Ele reconheceu que não precisa do dinheiro. "Gasto na noite". Eric teve uma crise nervosa e vomitou. Até a tarde, seus pais não haviam ido à delegacia.B.M.S. não deu entrevistas. A mãe dele, que não se identificou, disse que o filho roubou seu Vectra na garagem do prédio. Muito nervosa, ela ameaçou agredir fotógrafos e se apresentou como "mulher de policial". Eric negou fazer parte de uma quadrilha de jovens especializada em roubo de caixas, mas contou que B.M.S. conhece Oscar Ramos Cavalcante Filho, o Casinho, de 25 anos. De acordo com o investigador Marco Pedra, responsável pelo inquérito que apura assaltos a caixas eletrônicos, Casinho seria o chefe do bando de classe média. "Existem duas vertentes nesse tipo de crime: a que é especializada, que envolve jovens com dinheiro, que agem com estratégia, e a que é feita por bandidos comuns", afirmou.Casinho foi preso em duas ocasiões, ambas em companhia de José Alberto Garcia Curi, o Maranguape. Na primeira, em 1999, eles haviam sido acusados de assaltar uma casa na Barra da Tijuca, na zona norte. Em maio de 2001, eles foram presos em flagrante com um caixa eletrônico dentro de uma Fiorino. Nesse episódio, a polícia indiciou também Raphael Mariense de Saules, o Xexéu. Xexéu foi mandado para os Estados Unidos pelo pai, dono de restaurante em Copacabana. Pedra investiga ainda se a quadrilha de jovens da zona sul tem conexão com um grupo que atua em Santa Catarina. "Desde 1998 temos indícios de que essa quadrilha está transferindo know-how para assaltantes do Rio", afirmou. Ele está preparando um dossiê em cooperação com as polícias paulista e catarinense para mapear a atuação dessas gangues.UnibancoOs policiais da DRF prenderam ainda José Carlos de Souza, de 37 anos. Ele e outros oito homens tentavam roubar o caixa eletrônico do Unibanco, no Paço Imperial, centro do Rio, quando foram surpreendidos por policiais militares. Houve troca de tiros e o sargento Carlos Henrique da Silva foi morto. Souza havia conseguido escapar num táxi, mas foi reconhecido por outro motorista de táxi a quem ele havia assaltado uma semana antes. Esse motorista avisou a PM, que prendeu o assaltante. Na delegacia, ele foi reconhecido por outros policiais como um dos homens do roubo ao Unibanco. Os demais assaltantes fugiram.

Agencia Estado,

24 de abril de 2002 | 18h26

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