Jovens e profissionais liberais cruzam fronteira

Maioria dos 75 mil argentinos que vive no Brasil está no Sul e Sudeste; rivalidade é artificial, diz estudioso

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2008 | 00h00

Hoje, segundo estima a Embaixada da Argentina no Brasil, há cerca de 75 mil pessoas do país vivendo no Brasil. Elas se concentram principalmente nas capitais das Regiões Sudeste e Sul. A maioria dos imigrantes é de profissionais liberais ou jovens que procuram emprego no setor de comércio e serviços.Boa parte desses argentinos instalou-se no Sudeste e no Sul; o restante se espalhou pelas praias do Nordeste, desde Trancoso até Jericoacoara. Nesse segundo grupo, predomina o sonho "tropical" de ter uma "pousada ou bar na beira da praia". O diretor-executivo do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade Tres de Febrero, José Amiune, observa que "quase sempre houve mais argentinos indo para o Brasil do que brasileiros vindo para a Argentina". "Isso tem a ver com uma característica cultural específica. Eles vêem seu país como uma espécie de hotel 3 estrelas... quando o elevador quebra ou o ar-condicionado não funciona, vão embora. Existe um desapego ao país entre os argentinos que não se verifica na mesma magnitude entre os brasileiros. O Brasil contém seus cidadãos, a Argentina os expulsa." Segundo o especialista, os imigrantes de ambos os lados da fronteira também já deixaram de lado os antigos clichês de rivalidade entre os dois países, uma vez que seu interesse é mais por trabalho, estudo ou por relacionamentos amorosos. Segundo Amiune, no passado, as rivalidades foram fomentadas pelos militares de ambos países; atualmente, reduzem-se ao futebol. "No entanto, são rivalidades artificiais."

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