Jovens morrem 4 vezes mais em países pobres

Trânsito e violência são as principais causas, diz OMS

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Acidentes de trânsito fazem mais vítimas entre os jovens do que a aids. Avaliação que será publicada hoje indica que os jovens e adolescentes de países em desenvolvimento têm quatro vezes mais possibilidade de morrer do que jovens de países ricos. E os motivos não são doenças incuráveis. As principais causas de morte são acidentes de carro, suicídio e violência. A avaliação é da Organização Mundial de Saúde (OMS), que revela que 2,6 milhões de jovens morrem todos os anos no mundo. Dois de cada cinco por uma dessas razões indicadas pela agência da ONU.

O que mais choca a entidade é que 75% das mortes poderiam ser evitadas na camada entre 10 e 24 anos - 30% da população mundial, 1,8 bilhão de pessoas.

A constatação é de que 97% dessas mortes ocorrem em países de renda baixa ou média. Dois terços na África e Sudeste Asiático. Os jovens, que seriam os mais saudáveis entre a população, estão também cada vez mais ameaçados.

Os acidentes de trânsito matam em média 10% dos jovens, ante 6,3% em suicídios e 6% por conta da violência. A aids é apenas a sexta maior causa, responsável por 5,5% dos casos. Entre os garotos, 14% deles morrem em acidentes de trânsito. Entre a parcela entre 20 e 24 anos, os acidentes são responsáveis por 40% das mortes.

Nos países latino-americanos, a morte de jovens entre 20 e 24 anos aumenta em cinco vezes em comparação aos jovens de 10 a 19 anos. Mortes provocadas por violência aumentam em 26 vezes quando um menino passa a ser um jovem adulto. Na região, 42% das mortes de garotos entre 15 e 24 anos ocorrem por conta da violência. O perfil das mortes nos países ricos é diferente: 32% dos jovens morrem por acidentes de carro. A violência representa apenas 10%, ante 15% de suicídio.

Entre as meninas, o maior problema são as complicações de parto, abortos e aids, responsáveis por 15% das mortes de mulheres até 24 anos. A OMS estima que 250 mil mulheres morrem no parto por ano no mundo. Casamentos precoces também aumentam as chances dos riscos.

Segundo o estudo, em países onde o aborto é ilegal, as mortes relacionadas à interrupção da gravidez atingem 60 de cada 100 mil. Em Cuba ou nos Estados Unidos, onde o aborto é legal, a taxa cai para 0,6 a 1 por 100 mil. Já entre as meninas de países ricos, acidentes de trânsito são responsáveis por 27% das mortes. E 12% dos casos são suicídio.

Nos países ricos, são 45 mortes por ano a cada 100 mil jovens. Na África, são 305 mortes, sete vezes mais. Na América Latina, a taxa é de 109 mortes para cada 100 mil. A OMS indica que 90% da população jovem mundial vive nos países em desenvolvimento e, nos próximos 20 anos, essa taxa aumentará.

Para a OMS, políticas públicas para jovens não podem focar apenas aids e mortalidade materna. Entre as estratégias indicadas está a manutenção de adolescentes na escola o maior tempo possível e adiar gravidez e casamento precoces.

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