Jovens são presos suspeitos de achacar religioso em Aracaju

Presos em flagrante, rapazes ameaçavam religioso e exigiam R$ 5 mil pelo silêncio

Antônio Carlos Garcia, Especial para o Estadão

12 de novembro de 2007 | 15h28

Dois jovens, Marcos Vinicius Barreto, de 18 anos, e um garoto de 14 anos - foram presos em flagrante por extorquir o padre José Raimundo, da igreja do Conjunto Agamenon Magalhães, em Aracaju. Os jovens são acusados de extorquí-lo para não tornar público uma suposta em relação sexual que sacerdote tivera com eles. A prisão aconteceu no município de Ribeirópolis, a 72 quilômetros de Aracaju, depois que o padre denunciou à polícia que vinha recebendo ameaças há uma semana.  Embora resida em Aracaju, o padre decidiu ir a Ribeirópolis fazer a denúncia porque trabalhou lá durante seis anos e os jovens moram na cidade. A partir da denúncia de que estava sofrendo extorsão, o sacerdote José Raimundo recebeu a orientação da polícia.  "O padre nos pediu ajuda. Foi quando passamos a monitorar a situação e armamos uma campana nos fundos do cemitério da cidade, local marcado para entregar a quantia exigida pelos garotos", explicou a delegada, Gisele Martins. Quando o padre foi fazer o pagamento de R$ 2 mil, Marcos Vinicius e o menor foram flagrados. Eles ainda exigiram mais R$ 5 mil em troca do silêncio. Além de Marcos Vinicius e o menor, outra pessoa está sendo procurada pela polícia por envolvimento no caso. A delegada tem somente o apelido do rapaz, mas prefere manter em sigilo. Ela investiga, ainda, a denúncia de que o garoto de 14 anos tem envolvimento com drogas - ele seria um "avião", pessoa que faz a entrega de drogas. O padre José Raimundo foi orientado pela assessoria jurídica da Cúria Metropolitana a não se manifestar sobre o assunto. O advogado da Cúria, Charles Porto Prado, disse, no entanto, que o padre "nega peremptoriamente as acusações" e que ele foi vítima de extorsão. Nas conversas telefônicas, Marcos Vinicius teria dito que iria ocorrer com o padre José Raimundo o mesmo problema que ocorrera com o sacerdote Júlio Lancellotti, em São Paulo. O advogado da Cúria Metropolitana, Charles Prado confirma que nas ligações telefônicas, Marcos Vinicius Barreto ameaçava denunciar o padre por envolvimento homossexual caso não recebesse dinheiro. O advogado disse que ouviu do padre José Raimundo que jamais existiu relações sexuais com Marcos Vinicius e que foi ele próprio que denunciou o caso à polícia, uma semana depois que começou a receber os telefonemas ameaçadores. Nem a delegada, nem o advogado da Cúria Metropolitana quiseram informar o nome completo do sacerdote.

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