Jovens usam gás de buzina como alucinógeno

Estudante morreu após inalação e possível ingestão de mais substâncias

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

A morte da estudante Mariana Finazzi, de 20 anos, em uma festa junina em Fernandópolis (SP), no dia 19, trouxe à tona a discussão sobre o uso de gás de buzina como alucinógeno. De acordo com o delegado José Flávio Gonçalves, responsável pelo caso, outros jovens que estavam na festa disseram que ela teria inalado gás de buzina e bebido cerveja e vodca. A inalação do propano, componente do gás de buzina, pode diminuir a concentração de oxigênio no cérebro e causar sensação de euforia e alucinações. O gás não é tóxico. Entre os efeitos físicos provocados pela inalação estão dor de cabeça, fraqueza e alterações no batimento cardíaco. "Os casos de mortes provocados pelo uso do propano são raros. Essa moça deve ter inalado o gás junto com outras substâncias, como drogas e álcool, que sensibilizam o miocárdio, provocando parada cardiorrespiratória", avalia o toxicologista Anthony Wong, do Hospital das Clínicas. Há pelo menos 15 anos, o médico atende pacientes que fizeram uso de gás de buzina. O gás expelido pelo bico de aerossol da buzina é o que provoca o barulho e é inalado. O toxicologista Sérgio Graff, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acredita que a buzina deve conter outra substância, como solvente, que potencializa o efeito alucinógeno do propano. Para coibir o uso, o médico sugere que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) obrigue os fabricantes a adicionar um desnaturante no frasco, uma substância com intenso odor. "O gás de cozinha contém uma mistura de dois gases: butano e propano. Para evitar a inalação, é colocado o mercaptana, um desnaturante para que vazamentos sejam percebidos." Projeto de lei para proibir a venda dessas buzinas tramita desde março de 2008 no Congresso. O produto é facilmente encontrado, inclusive na internet, e custa, em média, R$ 10. LANÇA-PERFUMEUma estudante de 16 anos morreu na madrugada de quinta-feira com suspeita de overdose causada pela inalação de lança-perfume. A garota ficou internada por dois dias na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital M? Boi Mirim, no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, onde morreu. Ela havia ido a uma festa e o pai suspeita que tenha inalado a substância. O 100º Distrito Policial investiga o caso.

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