Jovens viram ‘estatísticos’ da vida digital dos colegas

Alunos do ensino médio de colégio particular em São Paulo pesquisaram comportamento online dos mais novos

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Por Julia Marques
Atualização:

Inquietos com o uso da internet de forma massiva – e nem sempre adequado – por colegas mais novos, estudantes do ensino médio do Colégio Equipe, na região central de São Paulo, resolveram fazer estatísticas para entender como as crianças se comportam no ambiente virtual. “Conversávamos com eles e pedíamos para responderem questionários. Eles diziam quanto tempo usavam a internet, o que achavam do cyberbullying”, diz o estudante Caetano de Andrade, de 17 anos. 

Ele e outros colegas do ensino médio foram às turmas do fundamental (de crianças de 6 a 14 anos) para aplicar os questionários depois de participarem de um grupo de discussão sobre o assunto no contraturno, durante o segundo semestre.

Caetano Andrade, do colégio Equipe, percebe diferenças no uso da internet; ele participou de um grupo de discussao sobre cyberbullying durante o semestre. Foto: Gabriela Biló / Estadão

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Segundo Caetano, surpreendia a forma como a vivência online afetava o humor até dos mais novos. “Eles chegavam furiosos à escola por uma coisa que tinha acontecido na internet”, conta.

A percepção é compartilhada pelos gestores da escola. “Nossa impressão é de que as redes sociais causam um nível de ansiedade, amplificam questões da convivência. Por isso propusemos a criação de um grupo de estudo”, explica a diretora do Equipe, Luciana Fevorini. 

Mesmo com pouca diferença de idade em relação às crianças, o jovem nota variações no uso. “Parece que eles têm um encantamento maior com a imagem. Por exemplo, nós, do ensino médio, usamos muito o Facebook. Já eles não chegam nem a criar um Facebook, criam direto um Instagram e, para se falarem, usam o WhatsApp”, conta ele. 

Até a privacidade ao acesso mudou. “Eu me lembro que computador, no começo, era da família toda, ficava na sala”, afirma Caetano.Análise. Os dados da pesquisa serão tabulados pelos próprios alunos, sob orientação de professores, no ano que vem e vão dar subsídio para novas discussões sobre o tema. “A partir da pesquisa, os alunos vão propor intervenções”, diz Luciana. 

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