Judas é condenado por traição. Mas foi apenas simulação

Por quatro votos a três, Judas Iscariotes foi condenado hoje pelo 1.º Tribunal do Júri por ter traído Jesus Cristo e contribuído para a morte dele. A pequena margem de diferença deveu-se à veemente defesa do advogado Técio Lins e Silva e do defensor público Paulo Edmundo. O julgamento simulado ocorreu em homenagem aos 50 anos da Defensoria Pública no Rio.Os advogados de defesa leram um trecho do Evangelho, segundo o qual o suposto traidor agira sob domínio do demônio,lembraram que Judas participou de um plano divino, e alegaram que a traição pressentida não pode ser considerada traiçãoporque ela já é esperada pela vítima. Ainda segundo Técio Lins e Silva, Judas foi o único apóstolo que, depois da condenação de Jesus, apareceu para defendê-lo.Todos os outros mantiveram-se escondidos. ?Eles só se desentocaram na ressurreição de Cristo, quando acharam que enfim tomariam o poder?.Mas a maior parte dos jurados entendeu que estava condenando o ato desleal cometido por Judas, que, segundo a promotoria,inspirou discípulos como Joaquim Silvério dos Reis, traidor de Tiradentes, e Cabo Anselmo, que durante a ditadura militar se infiltrou nos movimentos de esquerda e delatou companheiros. ?Absolver Judas é contribuir para a traição, a infidelidade. Condenar seu ato é manter indelével na mente dos homens de bem o maior ensinamento de Jesus: amai-vos uns aos outros?, disse o promotor José Muiños Piñeiro Filho.Votaram pela condenação de Judas a atriz Clarice Niskier, o teólogo Mozart Noronha, o músico Paulo Jobim e o sociólogo Lizt Vieira. O personagem bíblico foi absolvido pela atriz Tereza Seiblitz, pelo jurista João Luiz Pinaud e pelo pesquisador musical Ricardo Cravo Albin.

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