Juiz acha que Brasil segue caminho da Colômbia

O presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), juizLuis Felipe Salomão, acredita que o Brasil segue o mesmo rumo que levou a Colômbia a ser um Estado partido pela violência patrocinada pelo crime organizado. ?Eu acho que o script é rigorosamente o mesmo?, disse ele.Salomão distingue três estágios no processo de ?colombianização?: na primeira, o crime penetra no Estado por meio da corrupção; no segundo, parte para a intimidação da sociedade, com assassinatos; na terceira, domina a estrutura de poder. O Brasil, diz ele, vive o segundoestágio.Salomão defende uma alteração de todo o sistema policial, com o fim dos inquéritos e a instalação de Juizados de Instrução, como acontece em países europeus. No novo sistema, as investigações seriam assumidas pelo Ministério Público e acompanhadas ativamente pelos juízes.Os inquéritos policiais, diz ele, são como ?feudos?, que realimentam a corrupção.?O que se quer é estabelecer a transparência. Encontrar a fórmula do Juizado de Instrução adequada à nossa realidade é o xis da questão, a tarefa principal para uma solução definitiva a médio prazo?, afirma o juiz, que reclama ainda da má qualidade dos inquéritos.O presidente da Amaerj afirma que as ameaças contra autoridades do Poder Judiciárioacontecem em todo o País e afirma que essa é ?a hora? de a classe dos magistrados lutar com mais insistência contra o crime. Para ele, é preciso superar o pouco profissionalismo na segurança dos juízes.Salomão defende medidas como detectores de metais nas salas de audiência e reforço na segurança pessoal. O assassinato do juiz-corregedor Antônio José Machado Dias levou a Amaerj a divulgarum manifesto à nação cobrando ações imediatas.?O manifesto é um grito contra a inércia. Não agüentamos mais. Cadê as ações??, pergunta. Apesar de considerar que o Brasil vive um ?momento dramático de ataque ao Estado?,Salomão é contra a restrição de liberdades individuais em nome do combate ao crime organizado. ?A fórmulafunciona, mas para países com democracia consolidada. No Brasil, pode ser a volta deum período negro.?

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