Juiz baleado por policiais deixa hospital e diz que irá processar governo do Rio

Agentes foram indiciados por tentativa de homicídio e estão presos; crianças atingidas seguem internadas

Kelly Lima, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2010 | 18h23

O juiz Marcelo Alexandrino, baleado por policiais civis durante uma blitz no último dia 2, deixou nesta segunda-feira, 11, o hospital após nove dias internado. Ele afirmou que deverá entrar com medida judicial contra a polícia. "Claro que vamos estudar esta medida", afirmou ao deixar o hospital. Ele ressalvou, no entanto, que sua prioridade no momento é a recuperação do filho e da enteada, também baleados, que permanecem internados.

 

O menino, de 11 anos, teve perfuração nos dois pulmões e a menina, de 8 anos, foi atingida por uma bala que atravessou estômago, fígado e pulmão. Ambos não correm risco de morte. Eles foram transferidos para um hospital na zona Sul, mas os pais não identificaram a unidade, para evitar assédio da imprensa.

 

Segundo relato feito pelo juiz no momento dos tiros, os policiais não estavam identificados e por isso foram confundidos com bandidos em uma falsa blitz. Os policiais alegaram que não tiveram treinamento adequado para o uso de armas. Mas a versão foi contestada pelo comando da Polícia Civil, que declarou que eles receberam intenso treinamento.

 

Indiciamento. Após uma perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) confirmar que as balas que atingiram o juiz trabalhista e as crianças saíram de um dos fuzis dos policiais, a Justiça determinou a prisão dos suspeitos Bruno Rocha Andrade e Bruno Souza da Cruz, que se entregaram logo em seguida, no dia 8. Ambos foram indiciados por tentativa de homicídio.

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