Juiz bloqueia bens do deputado da meia

Segundo Ministério Público, Leonardo Prudente teria recebido R$ 6 milhões no esquema do 'mensalão do DEM'

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

O juiz Álvaro Luís Ciarlini, da 2.ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal, decretou ontem o bloqueio dos bens do ex-deputado Leonardo Prudente (sem partido), que ficou conhecido por ser filmado enquanto guardava nas meias maços de dinheiro do suposto esquema de propinas conhecido como "mensalão do DEM".

O Ministério Público havia pedido o bloqueio à Justiça, dizendo que o ex-parlamentar pode promover "a ocultação dos bens e valores adquiridos de forma ilícita", e calculou que cerca de R$ 6 milhões teriam saído do esquema para as contas de Prudente.

Em sua decisão, o juiz afirma que há elementos suficientes para declarar indisponíveis os bens. "Não se pode negar a existência de indícios da prática de atos ímprobos por parte do demandado, valendo lembrar que tais eventos foram fartamente divulgados pela mídia escrita, falada e televisionada, sendo hoje notórios e de domínio público."

O Estado procurou o ex-deputado, mas ele não respondeu aos telefonemas. Em depoimento à Polícia Federal, Prudente afirmou que o dinheiro colocado nas meias, em vídeo gravado em 2006, era caixa 2 de campanha.

Protesto. Durou quase 24 horas a ocupação da nova sede da Câmara Legislativa do DF pelo grupo autodenominado "Fora Arruda e toda máfia". A turma, formada por cerca de 60 estudantes, invadiu o prédio na quarta-feira, dia do cinquentenário de Brasília. Na tarde de ontem o Tribunal de Justiça determinou a reintegração de posse do prédio. Cerca de 100 agentes da polícia cercaram o prédio, mas os manifestantes saíram espontaneamente. / COLABOROU CAROL PIRES

PARA LEMBRAR

Leonardo Prudente é acusado de envolvimento no "mensalão do DEM", suposto esquema de corrupção no DF revelado pela PF em novembro de 2009. Prudente aparece em uma gravação escondendo dinheiro nas meias. Acuado, em dezembro pediu desfiliação do DEM. Em janeiro, renunciou à presidência da Câmara e em fevereiro renunciou ao mandato.

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