Juiz citado em grampo da Hurricane não liberou caça-níquel

As escutas telefônicas obtidas com autorização judicial pela Operação Hurricane, da Polícia Federal, citando a compra de juízes federais pela máfia dos jogos, contêm diálogos em que se afirma que magistrados receberam propina em troca de sentenças favoráveis a bicheiros e bingueiros. Em pelo menos um caso, isso não se confirmou. É o da escuta de diálogos entre o advogado e ex-delegado da PF Oscar Camargo, que representa as casas de bingo e de exploração de caça-níqueis, e o advogado Sérgio Luzio Marques de Araújo, também representante dos donos dos bingos e irmão do juiz federal Marcelo Luzio. Na conversa, gravada em 12 de novembro de 2006, às 10h59, é relatada a negociação de valor que seria pago ao juiz federal de São Paulo Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara, para que fosse liberado o funcionamento de casas de jogos ligadas à Confederação Brasileira de Kickboxing. Camargo afirmou a Araújo que Gomes receberia R$ 70 mil por bingo beneficiado. Entretanto, o juiz indeferiu pedido de liminar que favorecia a casa de jogos. A liminar foi negada no dia 16 de janeiro. A Confederação Brasileira de Kickboxing pediu reconsideração da decisão. No dia 20 de março, o juiz manteve a decisão de negar o benefício. "Mantive a decisão por seus próprios fundamentos. Sempre neguei liminares para bingos e caça-níqueis. Estão tentando jogar nomes de pessoas na lama. Nunca ouvi falar nem tive contato com esses senhores (Oscar Camargo e Sérgio Luzio)", afirmou o juiz.

Agencia Estado,

19 Abril 2007 | 13h48

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