Juiz condena 4 policiais por sumiço de chinesa no Rio

Ye Guoe foi vista pela última dentro de um carro da polícia, após sair de shopping com US$ 130 mil

Central de Notícias, com Clarissa Thomé,

29 de junho de 2009 | 15h19

A Justiça do Rio condenou quatro policiais - dois civis e dois militares - a uma pena de 12 anos de reclusão pelo desaparecimento da chinesa Ye Guoe. A decisão foi tomada pelo juiz André Ricardo Ramos, da 28ª Vara Criminal do Rio, e refere-se ao roubo triplamente circunstanciado (emprego de arma, concurso de pessoas e retenção da vítima) da vítima, que não foi mais vista depois de sair de um shopping na Barra da Tijuca, em julho do ano passado, com US$ 130 mil na bolsa. Ela foi vista por um taxista sendo levada em uma viatura policial antes de desaparecer.

 

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Ye Guoe esteve no Shopping Downtown em 17 de julho para trocar R$ 220 mil por dólares, numa operação ilegal de câmbio combinada no dia anterior, por telefone. Na saída do centro de compras, ela falou com o marido por telefone e pegou um táxi, que foi interceptado por policiais civis e militares. Durante as investigações do caso, a perícia encontrou o cabelo da chinesa no carro da polícia e a quebra do sigilo telefônico dos policiais mostrou que eles estavam no shopping no mesmo momento em que Ye Guoe.

 

Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, Marcelo Gomes da Costa, Fabiano do Amaral Bernardes, Cláudio Rodrigues de Azevedo e Izan Chaves de Mello também perderam o cargo público que ocupavam. Eles foram absolvidos, no entanto, da acusação de ocultação de cadáver. "Determino a perda dos cargos públicos ocupados pelos quatro primeiros denunciados, não só em razão do quantitativo da pena aplicada, mas também pelo fato de que não se pode admitir, por razões óbvias, a manutenção nos quadros das Polícias Civil e Militar do Estado de pessoas capazes de praticar fatos como o destes autos", escreveu o juiz na sentença.

 

O ex-governador Nilo Batista, que atua como advogado auxiliar da acusação, disse que vai recorrer da sentença, para que os policiais sejam julgados ainda por latrocínio (roubo seguido de morte). Seis funcionários da casa de câmbio da Barra da Tijuca onde a chinesa trocou o dinheiro foram acusados de falso testemunho, mas apenas uma foi condenada. Graziele Oliveira de Farias foi sentenciada à pena de um ano e dois meses de prisão, convertida em multa e prestação de serviços comunitários. Os outros cinco foram absolvidos. Durante as investigações, os funcionários negaram que a chinesa tivesse feito negócios na casa de câmbio - a empresa não tinha permissão para fazer compra e venda de dólares.

 

Atualizado às 19h32 para acréscimo de informações.

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