Juiz condena 4 por furto no Masp

Maior pena foi de 9 anos e meio; receptador também será punido

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

07 Fevereiro 2009 | 00h00

O juiz Marcello Ovidio Lopes Guimarães, da 18ª Vara Criminal de São Paulo, condenou anteontem quatro homens, acusados de envolvimento no furto de duas telas do Museu de Arte de São Paulo (Masp), em dezembro de 2007. Robson de Jesus Jordão, o Robinho, recebeu a maior pena: 9 anos e 6 meses de prisão. Francisco Laerton Lopes de Lima, o Gordo, foi condenado a 8 anos e 1 mês de prisão. E Moisés Manoel de Lima Sobrinho, o Alemão, a 6 anos e 5 meses. Os três, acusados de efetuarem o furto, vão cumprir pena em regime fechado. O último integrante da quadrilha, Alexsandro Bezerra da Silva, acusado de receptação dos quadros, foi condenado a 3 anos e 1 mês, que cumprirá em regime semiaberto. Em sua sentença, o juiz Guimarães assinala que "com informações privilegiadas a respeito do horário da troca e movimentação dos seguranças", às 5h09 de 20 de dezembro de 2007, os acusados romperam com um pé de cabra uma porta metálica do museu e levaram os quadros. Após o furto, feito sob encomenda, os três bandidos levaram as obras - O Lavrador de Café, de Cândido Portinari, e O Retrato de Suzanne Bloch, de Pablo Picasso, avaliados em R$ 100 milhões - à casa do comerciante Alexsandro Silva, em Ferraz de Vasconcelos. Os quadros foram recuperados 19 dias depois, em 8 de janeiro de 2008. Em seu interrogatório, o chef de cozinha Moisés, suposto mentor do grupo, confessou autoria do furto e disse que "um membro da direção do museu encomendara e facilitara o furto, para realizar a venda dos quadros no exterior". Quando foi preso, em 2 de abril de 2008, ele afirmou que o destino dos quadros era a Arábia Saudita. Ao juiz, Moisés confirma a participação de Robinho e Francisco Laerton no crime. Ele também admitiu ter levado os quadros para "uma residência em Ferraz de Vasconcelos".Também interrogados, os vigilantes Odilon e Francisco das Chagas confirmaram o "falho sistema de segurança do museu", que "só melhorou após o furto". Silva e Laerton negaram participação no crime. Já Robinho disse que havia ido ao museu em outra ocasião, "para observar a sala do cofre, pois pretendia furtar quadros dessa sala". Disse também que entrou no museu vestido de segurança, "sendo recebido como tal". Para basear sua sentença, o juiz Guimarães apontou "claras contradições entre os interrogados, que não apresentaram sequer uma mesma linha defensiva entre as fases policial e judicial". Os réus também são processados por duas tentativas anteriores de furtar o museu, em 18 de dezembro e 29 de outubro de 2007.

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