Juiz de Alagoas que foi seqüestrado é libertado em Maceió

O juiz Paulo Zacarias, presidente da Associação Alagoana de Magistrados (Almagis), que havia sido seqüestrado há três dias em Maceió, foi libertado no começo da manhã desta quarta-feira, 14. Ele foi seqüestrado no começo da noite de domingo, 11, quando saía de uma igreja batista em Maceió. Seu carro, um Corolla, levado com ele pelos seqüestradores, foi encontrado carbonizado na segunda-feira, 12.Paulo Zacarias foi deixado, na madrugada desta quarta, pelos seqüestradores na cidade de Satuba, onde pegou uma van, que atua no transporte alternativo de passageiros, e foi direto para casa, em Maceió. O juiz já foi ouvido pelo delegado Laurentino Veiga, diretor do Tático Integrado de Resgates Especiais da Polícia Civil (Tigre).Segundo o delegado, um grande efetivo policial seguia em diligência para descobrir o cativeiro do magistrado e capturar os seqüestradores. A família do magistrado havia pedido à cúpula da segurança pública do Estado que se afastasse do caso. Por isso, não há confirmação se foi pago resgate, mas a vice-presidente da Almagis, a juíza Nelma Padilha, disse que a família pagou R$ 10 mil aos seqüestradores. "Eles pediram mais, mas se contentaram com R$ 10 mil", afirmou. Motivação políticaMagistrados amigos do presidente da Almagis continuam suspeitando que o seqüestro teve motivação política. No dia 3 de março, Paulo Zacarias encaminhou ofício ao presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador José Fernandes de Hollanda Ferreira, solicitando a intervenção do órgão junto ao governo do Estado para garantir a segurança dos juízes ameaçados de morte.A pedido do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), o seqüestro de Paulo Zacarias será investigado com a ajuda da Polícia Federal. O secretário estadual de Defesa Social, general da reserva Edson Sá Rocha, disse que a cúpula da segurança pública de Alagoas não descarta nenhuma linha de investigação sobre o caso. SuspeitasNa terça-feira, 13, o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), teve um encontro com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em Brasília, para pedir ajuda do governo federal contra a onda de violência no Estado. Nos últimos seis meses, 17 pessoas foram seqüestradas no Estado, entre elas o juiz e três familiares de magistrados. Questionado sobre a possibilidade de o crime ter conotação política ou ter sido realizado para desestabilizar sua secretaria, Sá Rocha disse: "São linhas de investigação que a polícia está analisando. Pode ser um movimento para desestabilizar o diretor-geral da Polícia Civil e até o governador do Estado."Segundo Sá Rocha, a hipótese de crime político é apenas uma das várias investigadas. "Pode haver uma relação entre o seqüestro e as ameaças a magistrados. No entanto, é preciso cautela, pois há várias linhas e não podemos assumir nem descartar agora nenhuma delas."Texto alterado às 9h48 para acréscimo de informações.

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