Juiz decreta prisão de PMs acusados de matar menor em Bauru

Decreto pede a prisão temporária de policiais que teriam matado com choques menino de 15 anos no sábado

Jair Aceituno, especial para O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2007 | 18h27

O juiz Benedito Antonio Okuno, da 1ª Vara Criminal de Bauru, decretou nesta sexta-feira, 21,  a prisão temporária, por 30 dias, do tenente Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, do cabo Gerson Gonzaga da Silva e dos soldados Emerson Ferreira, Ricardo Ottaviani, Maurício Augusto Delasta e Juliano Arcângelo Bonini, acusados de torturar e matar com choques elétricos, o menor Carlos Rodrigues Filho, de 15 anos, no interior de sua casa, no bairro Mary Dota.    A medida atende à solicitação do delegado seccional Donizeti José Pinezzi, que dirige o inquérito. O prazo da prisão em flagrante terminaria na segunda-feira, quando os militares poderiam ser colocados em liberdade se não houvesse a decretação de prisão preventiva ou temporária, como ocorreu.   Na terça-feira, um  laudo divulgado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Bauru diz que o corpo de Carlos apresentava 30 ferimentos causados por choque elétrico, além de escoriações na face e no tórax. A causa da morte foi definida como "eletroplessão".     Veja Também:    Laudo aponta tortura policial em morte de menino de 15 anos    Deputados vão apurar morte de jovem torturado por PMs em SP       Pinezzi justificou o pedido de prisão pela exigüidade de tempo para a conclusão do inquérito, já que são seis implicados e ainda existem pontos a ser esclarecidos. O mandado foi encaminhado ao tenente-coronel Abaré Vaz de Lima, diretor do presídio militar Romão Gomes, para cumprimento.   Em razão da prisão temporária, o delegado, que havia marcado para o dia 27 o interrogatório dos acusados, que ocorreria em São Paulo, vai requisitar a presença deles em Bauru para, além do interrogatório, participarem de sessões de reconhecimento e da reconstituição do crime, que determinará qual o grau de participação de cada um.   Comparsa identificado     A polícia identificou e apreendeu nesta tarde um menor, de 17 anos, que confessou ter roubado a moto do taxista junto com Carlos Rodrigues Júnior, fato que desencadeou a operação a ocorrência policial onde o menor resultou morto. O segundo acusado também mora no bairro Mary Dota e, segundo policiais, confessou sua participação e a do amigo morto pela polícia. Sua apreensão foi pedida à Vara de Infância e Juventude. "Esse garoto deverá oferecer as informações que necessitamos para resolver o caso por completo" - afirma Pinezzi.   Direitos Humanos   Representantes das comissões de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e da Câmara Federal e membros da Ouvidoria das Polícias do Estado e do Movimento Nacional de Direitos Humanos estarão neste sábado em Bauru para conhecer pormenores do caso de Carlos Rodrigues Junior e as providências. Terão reunião, às 10 horas, na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) , com os delegados do inquérito, o comando do 4º BPM/I e o Ministério Público. Policiais revelam que, além da cópia do laudo necroscópico e dos autos do inquérito, os visitantes ainda terão acesso aos materiais apreendidos, inclusive o fio utilizado para torturar a vítima.   O médico legista Ivan Segura, que atestou a existência de 30 lesões provenientes de choques no corpo do menor morto, disse em seu relatório que essas marcas só ocorrem quando a pele é submetida ao contato prolongado com o fio energizado. "No caso de um simples choque, não fica marca" - afirmou.

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