Juiz decreta prisão de secretário por morte de prefeito

Aquino, que já estava detido por crime contra a administração pública, teve prisão temporária ordenada sob suspeita de ser mandante do crime

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2010 | 00h00

A Justiça decretou ontem a prisão temporária por 30 dias do ex-secretário de Habitação de Jandira (SP), Wanderlei Lemes de Aquino, por suspeita de ter sido o mandante do assassinato do prefeito Braz Paschoalin (PSDB). A decisão é do juiz Henrique Maul de Souza, que acolheu pedido da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público que investiga corrupção.

O setor de Homicídios e Proteção à Pessoa da Seccional de Polícia de Carapicuíba, responsável pelo inquérito, e os promotores de Justiça apresentaram indícios do envolvimento de Aquino no crime. Argumentaram, no requerimento encaminhado ao fórum, que ele representa risco à integridade de testemunhas que estariam sendo ameaçadas.

Aquino já está preso desde quinta-feira, mas por força de ordem judicial em outro processo em que é acusado de crime contra a administração pública. Para a polícia e a promotoria, em liberdade ele pode atrapalhar as investigações.

Paschoalin foi fuzilado às 7h55 de sexta feira da semana passada quando chegava em uma emissora de rádio de Jandira para um programa semanal.

Ele ocupava um Fiesta, dirigido por seu motorista, que também foi baleado e está internado em estado grave no Hospital das Clínicas. O prefeito circulava em um blindado, mas no dia em que foi eliminado um pneu do veículo estava furado.

Filho. Ao investigar Aquino, a polícia descobriu que ele tem um filho, Patrick Aquino, que está preso em Mirandópolis (SP), sob acusação de roubo a mão armada de carro e celulares, crime ocorrido em 25 de outubro de 2006 no município de Barueri.

A polícia suspeita que Patrick teria ligações com o PCC, facção criminosa alojada nos presídios, e com pelo menos dois dos quatro homens que estão presos por suspeita de participação na execução do prefeito. O rapaz foi condenado a 8 anos de prisão.

Aquino foi soldado da Polícia Militar entre 1988 e junho de 1994, ano em que foi expulso da corporação por furto de madeira. A polícia fez buscas no gabinete que ele ocupava na prefeitura e também em sua residência, um casarão de quatro andares com elevador no condomínio Forest Hill, em Jandira.

Documentos. Está sendo apurada denúncia de que horas antes da inspeção um investigador da Polícia Civil esteve na casa de Aquino e retirou documentos que poderiam comprometer o ex-secretário.

A polícia busca os motivos para o assassinato. Uma pista aponta para uma lei municipal, de autoria de Paschoalin, que tirou poderes de Aquino na Habitação relativos à concessão de licença para loteamentos na cidade.

A medida teria irritado o ex-secretário. A polícia já sabe que dois dias antes da morte, o prefeito e Aquino discutiram gravemente. Paschoalin anunciou ao então secretário que ele seria demitido.

Hoje, manifestantes vão fazer uma caminhada pela paz e segurança em Jandira, a cidade abalada pela sucessão de morte de políticos - além do prefeito, um vereador e um suplente de vereador foram mortos este ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.