Juiz decreta sigilo de Justiça no caso Celso Daniel

O juiz Luiz Fernando Migliori Prestes, da 1ª Vara Criminal de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, decretou que o inquérito sobre o assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT), deve transcorrer a partir de hoje em sigilo de Justiça. A Justiça de Itapecerica da Serra é responsável pela jurisdição de Juquitiba, onde o corpo de Daniel foi encontrado.Com a decretação do sigilo, nenhuma informação sobre as investigações poderá ser divulgada até a conclusão do inquérito que corre no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).O teor do decreto do juiz não foi divulgado. O juiz declarou apenas que decidiu decretar o sigilo depois de "analisar os autos". No início do mês, os advogados do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, principal testemunha do seqüestro que resultou no assassinato de Daniel, impetraram no Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), na Justiça de São Paulo, um pedido de sigilo sobre o inquérito. No pedido, os advogados de Sombra argumentam que a divulgação de notícias sem confirmação tem prejudicado as investigações e "levantado suspeitas infundadas".A assessoria do empresário citou hoje o exemplo da Chevrolet Blazer encontrada queimada na Favela do Pantanal para justificar o que chamou de "desencontros na divulgação" feita pela polícia das informações do caso. Assim que a Blazer foi encontrada, a própria polícia descartou a participação dela no seqüestro.Ontem, com a divulgação dos laudos do exame de fragmentos da tinta da Blazer, feitos pelo Instituto de Criminalística (IC), ficou comprovado que a Blazer abalroou a Mitsubishi Pajero, onde Daniel estava quando foi seqüestrado.O deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), que integra a comissão designada pelo PT para acompanhar as investigações, defende o sigilo de Justiça no inquérito. "Temos nos manifestado sempre contra o vazamento de informações no caso", disse ele.Greenhalgh criticou a divulgação dos laudos feita ontem pelo diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Domingos Paulo Neto. "Nada foi acrescentado às investigações e a polícia deu o caso como praticamente resolvido, quando ainda falta muito para se dizer que temos a solução do caso", acusou ele.

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