Juiz deve pôr Suzane e Daniel frente a frente

No segundo dia do julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos, os advogados de defesa dos irmãos vão pedir uma acareação entre Suzane e Daniel. A estratégia é colocar Suzane e Daniel frente a frente, uma vez que, em seus depoimentos, ela contrariou as declarações dos irmãos a respeito do relacionamento entre eles e o crime cometido em outubro de 2002."O interrogatório dela foi uma coisa monstruosa, um absurdo", disse Geraldo Jabur. A defesa de Suzane disse não se opor à acareação.Jabur deve fazer o requerimento da acareação logo no início dos trabalhos. Caberá ao juiz decidir se haverá ou não a acareação. O advogado de Suzane, Mauro Octávio Nacif, disse que é favorável à acareação. Caso o juiz Alberto Anderson Filho, presidente do 1º Tribunal do Júri, aceite o pedido, a acareação deverá ser o primeiro ato da sessão de hoje, com previsão de início às 10 horas no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Para esta terça-feira também está previsto o início dos depoimentos das testemunhas de defesa e acusação tanto de Suzane quanto dos irmãos Cravinhos.Há também a possibilidade de, no final do dia, haver as considerações dos advogados, resumindo os depoimentos do dia e as histórias apresentadas por cada réu.ContradiçõesEm depoimento de mais quatro horas no primeiro dia do julgamento, Suzane rebateu as declarações de Daniel Cravinhos, que afirmou ter matado os pais dela sozinho, inocentando seu irmão, Christian. Suzane disse ter conhecido as drogas após iniciar o namoro com Daniel, alegou ter uma vida pacata e ser virgem até conhecer Daniel.Segundo o depoimento de Daniel, ela havia perdido a virgindade com um outro namorado, quando tinha 14 anos de idade. Um dos argumentos da defesa de Suzane é de que perdendo a virgindade com Daniel, a ré teria aumentando sua paixão pelo namorado e sua dependência dele, e por isso poderia ter planejado matar os pais, a mando de Daniel.Em seu depoimento, que durou 1 hora e 25 minutos, Christian Cravinhos repetiu a versão apresentada por seu irmão, Daniel, de que ele não participou do assassinato do casal Manfred e Marísia von Richthofen. Christian disse que subiu ao quarto do casal, mas não golpeou nenhuma das vítimas. Ele disse ter ficado na janela vendo o irmão dar os golpes que mataram Manfred e Marísia. Ele disse que, depois de ter visto o assassinato, não conseguia dormir. TranstornadosChristian afirmou que Daniel e Suzane chegaram transtornados na casa da família Cravinhos dizendo que iam matar os pais dela. Quando encontraram Christian no cybercafé onde estava Andreas, irmão mais novo de Suzanne, levaram-no de carro até a casa dos Richthofen. A caminho da casa dois pais, já pretendendo matá-los, Suzane fumava um cigarro de cravo como se estivesse indo a um parque de diversões, disse Christian.Em seu primeiro depoimento, em 2002, Christian havia dito que atacara Marísia. Em sua nova versão, ele afirmou ter feito a confissão para proteger o irmão Daniel, esperando que a pena do irmão fosse abrandada. Pressionado pelo promotor Nadir de Campos Júnior, Cristian jurou pelos próprios pais que não havia batido em ninguém. Ele se recusou a responder às perguntas que o advogado de Suzane lhe fez.

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