Juiz diz que há 'indícios' que ordens de violência tenham saído de Catanduvas

Na penitenciária do PR estão presos dois importantes líderes do Comando Vermelho; em outubro, mulher foi detida ao tentar entrar com duas cartas com ordens de traficantes

Evandro Fadel, O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2010 | 17h54

CURITIBA - O juiz corregedor da Penitenciária Federal de Catanduvas, no oeste do Paraná, Nivaldo Brunoni, disse nesta quarta-feira, 24, que há "indícios" de que as ordens para as ações violentas verificadas no Rio nos últimos dias podem ter partido daquele estabelecimento. Lá estão presos, entre outros, dois importantes líderes da facção Comando Vermelho: Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor.

 

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Segundo ele, no dia 15 de outubro, a mulher de outro preso foi detida quando tentava entrar no presídio com duas cartas, em que traficantes do Rio de Janeiro pediam, em uma, autorização para "receber a bala" as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), e, na outra, para agir em represália a um integrante do grupo AfroReggae, que organiza atividades socioculturais em favelas, com o objetivo de retirar ou evitar que jovens se envolvam com o narcotráfico. "As cartas não chegaram porque a mulher foi detida na revista", disse o corregedor.

 

No entanto, Brunoni acentuou que, por mais que haja revistas ou que as conversas entre presos e advogados sejam gravadas, "sempre tem uma brecha, uma possibilidade de comando". Segundo ele, as visitas a presos do Rio, a partir de agora passarão a ser feitas, preventivamente, no parlatório, onde poderão ser gravadas. "É o máximo que se pode fazer", acentuou. Ainda restará a possibilidade de ordens serem passadas nos encontros íntimos, sobre os quais não pode haver qualquer vigilância, inclusive se os presos estiverem enquadrados no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), o mais rigoroso.

 

"Nós não temos notícia de que as ordens saíram de lá, a inteligência do presídio não detectou nada, mas também não podemos dizer que não saiu de lá", afirmou o juiz corregedor. "Em razão dessas cartas, há indícios de que podem ter partido de lá." Brunoni disse que para ele também é uma surpresa que ordens como essa possam sair de dentro de penitenciárias consideradas de segurança máxima. "É impressionante como não se quebra o vínculo", acentuou. Já houve, inclusive, situações de flagrante de advogados que agiam como mensageiros.

 

Brunoni será o responsável por analisar o pedido de transferência de oito presos para Catanduvas, que deve ser feito pela Justiça Estadual do Rio de Janeiro. "Quem decide é a Justiça Federal", destacou o corregedor. Ele disse, ainda, que Marcinho VP deve ser transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). "É uma coincidência, mas já estávamos analisando isso, agora vai só acelerar", afirmou. Segundo ele, é "salutar" que haja um rodízio e o preso não permaneça mais de dois anos em cada penitenciária. No caso de alguns do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, já estão há quatro anos no Paraná.

 

O juiz corregedor também confirmou que o diretor da Penitenciária de Catanduvas, delegado da Polícia Federal Fabiano Bordignon, está deixando o cargo, após quase dois anos no cargo. Segundo ele, a saída não tem nenhuma relação com as possíveis ordens de violência partidas do presídio, mas é uma vontade do próprio delegado. Além de haver uma prática de que os diretores ficariam geralmente por dois anos, até como medida de segurança. "Para nós, é uma pena que ele esteja saindo, porque fez uma administração fantástica, com competência, dinamismo e bastante rígida", referendou Brunoni. Bordignon não estava hoje na penitenciária.

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