Juiz do Pará censura jornal e ameaça editor de prisão

Decisão impede ''Jornal Pessoal'' de publicar qualquer notícia sobre caso de fraudes contra Sudam

Carlos Mendes, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

O juiz da 4.ª Vara Federal do Pará, Antonio Carlos Campelo, intimou o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que há 23 anos edita em Belém o Jornal Pessoal, a não publicar, sob pena de prisão em flagrante, processo criminal e multa de R$ 200 mil, qualquer notícia sobre o envolvimento de quatro pessoas, entre elas Rômulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana - proprietários do jornal O Liberal, TV Liberal e várias emissoras de rádio -, em fraudes contra a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

O processo em que a dupla é acusada de crimes contra o sistema financeiro nacional, no valor de R$ 3,3 milhões, corre sob segredo de Justiça desde a semana passada, embora esteja em tramitação desde 2008. Na edição da primeira quinzena de fevereiro o Jornal Pessoal relatou com detalhes a audiência realizada no dia 1.º passado.

Segundo o jornalista, Ronaldo chorou diante do juiz e Campelo teria feito perguntas genéricas aos réus, sem relação direta com os fatos imputados. "O tom da audiência foi tão cordial que no início da sessão o magistrado perguntou ao réu se poderia chamá-lo de doutor. Ao final, se levantou para cumprimentá-lo e aos seus advogados", escreveu Lúcio Flávio Pinto.

Ele disse ao Estado que vai cumprir a determinação judicial, mas pretende recorrer, "em defesa do direito constitucional à liberdade de imprensa, com hierarquia superior ao segredo de Justiça".

Procurado, o juiz Antonio Carlos Campelo pediu que o jornal fizesse perguntas por e-mail sobre o caso. Isso foi feito, mas até o fechamento da edição o juiz não mandou as respostas.

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