Juiz é acusado de forçar aborto, seqüestro e cárcere privado

O subprocurador-geral da República Eitel Santiago do Brito Pereira denunciou hoje no Superior Tribunal de Justiça (STJ) o ex-presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, desembargador Etério Ramos Galvão, o juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Estado, Mário Gil Rodrigues Neto, e outras quatro pessoas por vários crimes. Dentre os delitos, estariam aborto, seqüestro e cárcere privado, que teriam sido praticados contra a médica anestesiologista Maria Soraia Elias Pereira, apontada como amante do desembargador por mais de dois anos.Eitel Santiago do Brito Pereira quer que o STJ determine a prisão preventiva do desembargador, do juiz, do funcionário público Samuel Alves dos Santos Neto, da médica Mirlene Carvalho Rosado de Oliveria, do empresário Túlio José de Souza Linhares e do advogado Eliah Ebsan Meneses Duarte.O fato que teria desencadeado os crimes foi uma gravidez de Maria Soraia. Segundo o subprocurador, Etério ficou inconformado com a gestação e chegou a conduzir a suposta amante a clínicas para convencê-la a fazer um aborto. Diante da decisão da médica em ter o filho, e supostamente orientado por Mirlene e Mário Gil, Etério teria tentado provocar o aborto dissolvendo comprimidos abortivos num suco de laranja ingerido por Maria Soraia, segundo Eitel.A tentativa não surtiu efeito e, diante da resistência da suposta amante, Etério teria tentado esganá-la, causando-lhe lesões corporais leves. Posteriormente, o desembargador teria viajado com Maria Soraia para um sítio, onde teria lhe dado um comprimido. Em seguida, ela dormiu e, ao acordar, notou que havia sido submetida a um aborto supostamente provocado por Mirlene, segundo o subprocurador.Apesar dos supostos acontecimentos, Maria Soraia teria reatado o relacionamento com Etério e engravidou novamente. Pressionada, ela deixou Recife por algum tempo e, em meados de 2000, retornou à cidade, já no final da gestação. Em seguida, teria sido seqüestrada e mantida em cárcere privado por Túlio e outra pessoa. A criança nasceu no local, mas foi retirada da mãe dias depois. Maria Soraia conseguiu escapar do cárcere, mas a filha ainda não foi encontrada, segundo o subprocurador."Comenta-se que foi dada em adoção internacional, mediante a falsificação de documentos", disse Eitel. "Desde o início das investigações, os quatro - Etério, Mário Gil, Túlio e Eliah - fizeram tudo o que era possível para impedir a apuração dos graves crimes que lhes são imputados", afirmou o subprocurador. "Aliciaram e corromperam testemunhas e cometeram outros delitos - lesões corporais, roubos, ameaças, coações no curso do processo, falsidades ideológicas, uso de documentos falsos e denunciação caluniosa - para facilitar ou assegurar a impunidade que ainda estão desfrutando", argumenta Eitel.Em ofício encaminhado à ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), o subprocurador Eitel questionou habeas corpus apresentado por Mário Gil com o objetivo de trancar a ação penal no STJ. "A investigação já terminou e restou apurado que o paciente perpetrou, em concurso material, com a participação de outros co-réus, diversas infrações penais", sustentou Eitel.

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