Juiz e político, Jobim assume Defesa com carta branca

Mudança ocorre quase dez meses após acidente com avião da TAM, que matou 154 e é considerado o estopim da crise aérea

25 Julho 2007 | 18h55

Ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso e cotado outras vezes para fazer parte do atual governo, o peemedebista Nelson Jobim, 61, assume o Ministério da Defesa após a demissão do petista Waldir Pires, em um movimento do Palácio do Planalto que visa também conter críticas da oposição. A mudança ocorre quase dez meses após o acidente com o avião da TAM, que deixou 154 mortos e deu início à crise aérea.   Gaúcho de Santa Maria, Jobim teve uma passagem polêmica no Supremo Tribunal Federal (STF), para onde foi depois de ocupar o Ministério da Justiça, entre 1995 e 1997, no primeiro mandato do tucano. Muitas vezes criticado por uma atuação considerada mais política do que técnica, Jobim ganhou o apelido de "líder da bancada do governo" na mais alta corte do Brasil. Já entre 2004 e 2006 ocupou a presidência do STF tendo um ótimo relacionamento com o governo petista.   Com livre trânsito na oposição, o ex-deputado constituinte tinha a simpatia de Lula para integrar a chapa para as eleições de 2006, como candidato a vice na votação que reelegeu o mandatário, depois de se aposentar no Supremo. Acabou preterido por José Alencar (PRB), depois de o PMDB se dividir e não declarar apoio formal nem ao petista nem a Geraldo Alckmin (PSDB). Mais tarde tentou ocupar a Presidência da sigla, mas foi levado a desistir em favor do deputado Michel Temer (SP), quando viu que não tinha forças para derrotá-lo.   A tarefa agora é enfrentar a crise aérea, que se agravou desde a semana passada, quando um Airbus da TAM se chocou com um prédio da própria empresa quando tentava pousar no aeroporto de Congonhas, em uma tragédia que matou cerca de 200 pessoas.   Um dos principais críticos do governo federal, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), relator da CPI da Crise Aérea, aprovou a indicação do peemedebista. "O Jobim tem prestígio, conhecimento, influência e sabe comandar. Acho que pode dar certo, mas tem que ter dinheiro. Senão, nem Jesus Cristo consegue", disse o senador à Reuters.   O principal fiador da ida de Jobim para o ministério, após dois convites anteriores recusados pelo ex-presidente do STF, foi o amigo pessoal e ex-deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF). A primeira sondagem de Lula ao novo ministro, que já foi duas vezes eleito para a Câmara, veio antes do acidente da TAM. "Ele (Jobim) é um homem com visão de Estado", afirmou Sigmaringa.   Poderes   Segundo uma fonte com acesso às conversas para a mudança do ministério, Lula deu poderes absolutos a Jobim para mudar a estrutura da Infraero, a estatal que administra os aeroportos do Brasil, e de sua própria pasta. Uma das primeiras mudanças deve ser a saída do brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da estatal, já decidida desde a semana passada, diz a fonte à Reuters.   Crítico do peemedebista, que classificou como um "antimagistrado que teve uma péssima trajetória no STF", o juiz Walter Maierovich, ex-secretário nacional antidrogas, reconhece que Jobim fez um bom trabalho no Ministério da Justiça, porque soube lidar com os militares nos processos de indenização de vítimas do regime militar (1964-1985). "Se ele gerir bem e ajudar a resolver essa crise aérea, será a sua grande chance de se candidatar um cargo elevado, que é o que sempre esteve nas pretensões dele", disse Maierovich.

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