Juiz manda apurar desobediência do Denarc no caso Naldinho

O juiz da 1ª Vara Criminal de Praia Grande, Edegar de Sousa Castro, determinou a abertura de um inquérito para apurar eventual crime de desobediência à determinação feita ao Denarc de encaminhar a degravação das conversas telefônicas entre os membros da quadrilha de Ronaldo Duarte Barsotti de Freitas, o Naldinho. Segundo informações do órgão policial, havia 12 CDs e 112 fitas, com mais de 5 mil horas de gravação e só o material contido nos CDs foi anexado aos autos.O juiz determinou, meses atrás, a inclusão desse material ao processo, o que não havia sido feito até terça-feira, 18, o que determinou o encaminhamento do caso à Secretaria da Segurança Pública e à Corregedoria da Polícia Civil. Edegar de Souza Castro quer a degravação dos trechos que tenham interesse probatório, entendendo que conversas pessoais não ligadas ao caso devam ser dispensadas.O advogado de Naldinho, Eduardo Elias, repetiu que considera a Operação Indra, desenvolvida ano passado pelo Denarc, "uma grande farsa" e questionou a existência das provas. "Os policiais apregoam oito mil horas se gravação e, se existem 50 CDs, por que apenas seis chegaram ao processo?". Os números apresentados por Elias são diferentes dos conhecidos pelo juiz.DepoimentosO Fórum de Praia Grande teve mais um dia de grande movimentação, por conta do depoimento das testemunhas de defesa dos réus presos durante e Operação Indra, realizada pelo Denarc em junho do ano passado e que prendeu Ronaldo Duarte Barsotti de Freitas e nove pessoas acusadas de pertencerem à sua quadrilha, entre elas o ex-goleiro Edinho, filho de Pelé. O juiz da 1ª Vara Criminal, Edegar de Sousa Castro, esperava ouvir as 11 testemunhas que estavam arroladas, mas só sete delas compareceram.O ex-jogador Manoel Maria, que jogou ao lado de Pelé e conhece Edinho desde criança, foi uma das testemunhas do ex-goleiro. Ao deixar o Fórum, ele comentou: "não acredito e só depois de provarem que ele está realmente envolvido com o tráfico que vou entender, porque até agora não dá para compreender".As outras seis testemunhas eram do réu Clóvis Ribeiro, o Nai. Segundo Pedro Lazarini Neto, advogado dele, "são pessoas próximas ao Clóvis, que demonstraram não haver qualquer ligação com a acusação feita pela promotora".

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