Keiny Andrade/AE-8/10/2009
Keiny Andrade/AE-8/10/2009

Juiz manda despejar sem-terra de fazenda

Produtiva, propriedade em Pederneira foi invadida na quarta-feira por 30 famílias

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2010 | 00h00

O juiz Sérgio Augusto de Freitas Jorge, da 2.ª Vara Cível de Pederneiras, no centro-oeste do Estado, mandou despejar as 30 famílias ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) que invadiram uma gleba da Fazenda Faxinal, na quarta-feira. A liminar foi dada ontem em ação de reintegração de posse movida pela advogada Lívia Fernandes Ferreira, que representa o dono da propriedade.

No despacho, o juiz narra que os sem-terra "entraram na área arrebentando as cercas, invadindo as áreas de pasto e construindo suas barracas, conforme Boletim de Ocorrência e fotografias". Ele autorizou o "uso de reforço policial para assegurar o imediato cumprimento da ordem". Também determinou à prefeitura providenciar assistentes sociais e ambulâncias para acompanhar o despejo.

Os sem-terra são provenientes do Acampamento Aimorés, instalado pelo Incra num antigo horto florestal, entre Bauru e Pederneiras. O grupo já havia invadido a fazenda este ano no chamado "abril vermelho" - a jornada de lutas do MST. A propriedade é considerada produtiva pelo Incra.

Ligações. De acordo com o Sindicato Rural de Bauru, o MST tem ligações com outros movimentos, como a Federação dos Agricultores Familiares e sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). "Eles agem em conjunto para recrutar pessoas nos bairros da periferia, trocam informações e se misturam quando fazem as invasões", disse o presidente Maurício Lima Verde. Segundo ele, os líderes chegaram a anunciar uma lista das fazendas que serão invadidas.

O ruralista conta que as terras desapropriadas pelo Incra para formar o assentamento foram insuficientes para acomodar o grande contingente de famílias recrutadas pelos movimentos. "Os sem-terra que sobraram ficam invadindo as propriedades próximas."

O sítio Santa Marina, do produtor Antonio Aversa Neto, apesar de possuir apenas 31 hectares, permaneceu invadido durante 445 dias. A área só foi desocupada, mediante despejo judicial, em outubro. Mas a estrada de acesso, que corta o assentamento, continua bloqueada. Os assentados construíram cerca para impedir a passagem do produtor. Ontem, Aversa Neto enviou notificação à prefeitura pedindo o desbloqueio da passagem, já que a estrada é municipal.

Despejo. O MST negou que os invasores de Pederneiras sejam ligados ao movimento. De acordo com a assessoria de imprensa, grupos ligados a outros movimentos também agem na região.

Na terça-feira, 70 famílias vinculadas à Federação da Agricultura Familiar foram despejadas de outra gleba da fazenda Faxinal. A ordem de despejo foi cumprida pela Força Tática da PM de Bauru.

A líder dos sem-terra Márcia Cristina Lopes reclamou das condições dos veículos enviados para transportar os invasores. Segundo ela, os caminhões estavam em estado precário de conservação e os pertences dos sem-terra caíram na estrada.

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