Juiz ordena a devolução de locomotiva tirada de Sorocaba

O juiz José Elias Themer, da 7ª Vara Cível de Sorocaba, deu prazo de 24 horas para que a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) devolva uma locomotiva a vapor, do tipo "maria-fumaça", retirada da cidade sem autorização dos órgãos do patrimônio histórico. A máquina foi levada há 20 dias para a sede da associação, em Campinas, e seria usada no transporte de turistas, na Estrada de Ferro Campinas - Jaguariúna. A contagem do prazo será feita a partir da intimação dos diretores da entidade. Se a decisão não for cumprida, o equipamento será apreendido e os responsáveis serão processados por desobediência. Até a tarde de hoje a diretoria da ABPF não sabia da ordem judicial. A máquina estava sendo engraxada para começar a rodar na linha turística. A locomotiva número 58, fabricada por uma empresa americana, pertenceu à antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) e foi doada à prefeitura de Sorocaba em 1968. Durante várias décadas, permaneceu exposta no Parque Municipal Quinzinho de Barros. Deteriorada, foi retirada para reforma em 1986 pelo engenheiro e restaurador Lincoln Palaia. A máquina não foi devolvida por falta de entendimento entre o restaurador e a prefeitura. Ele queria que a locomotiva fosse usada como transporte para evitar nova deterioração, mas o ramal turístico não foi providenciado. Sabendo disso, a ABPF encaminhou um ofício requisitando a locomotiva. A entidade foi criada para preservar a memória da ferrovia no Brasil. A máquina foi transportada sem autorização da prefeitura. O promotor Jorge Alberto de Oliveira Marum, curador do patrimônio histórico, entrou com pedido de busca e apreensão. Ele quer processar também criminalmente os responsáveis pela apropriação indevida da locomotiva. Segundo Marum, a "maria-fumaça" é objeto de grande apreço por parte da população de Sorocaba.

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