AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Juiz ouvirá brasileiro acusado de matar garota nos EUA

O brasileiro Saul dos Reis, de 25 anos, que teria confessado à polícia ter estrangulado a garota Christina Long, de 13, a qual conheceu em sessões de bate-papo pela internet, será apresentado amanhã à Corte Federal em Bridgeport, no Estado de Connecticut. Sem direito a fiança, Reis está detido no Centro Correcional da cidade desde segunda-feira, quando levou agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI), a polícia federal americana, até o local onde estava o corpo de Christina. Na audiência de amanhã, um juiz deve definir o valor da fiança para sua libertação ou determinar que fique preso. Como Reis é um imigrante ilegal, provavelmente ficará preso durante todo o processo. Até ontem, Reis ainda não tinha sido acusado formalmente como autor do assassinato e ainda se discutia se será processado pelas leis estaduais de Connecticut ou federais. Ele está preso por ter usado um serviço público, a internet, para seduzir sexualmente uma menor. Este é um crime federal e por isso está sendo investigado pelo FBI. O advogado Harold Pickerstein, ex-promotor público indicado pela Justiça para defender o acusado, disse ontem esperar que o rapaz alegue inocência, mas evitou comentar o caso. O depoimento em juízo deve ser na terça-feira. O Consulado do Brasil em Nova York, que tem jurisdição sobre Connecticut, indicará um representante para acompanhar todas as audiências. Mas, segundo um funcionário da chancelaria, essa é apenas uma medida para garantir os direitos de Reis, que é casado e vive nos EUA há 15 anos, sem visto de permanência. Ele morava com a mulher em Greenwich e trabalhava no Café Brasil, restaurante de sua família em Port Chester. As duas cidades ficam no Estado de Nova York e são próximas de Danbury, Connecticut, onde Christina morava com Shelly Reilly, sua tia. DesaparecidaNo fim da tarde da sexta-feira, Shelly deixou Christina no Danbury Fair Mall, um shopping da cidade. Quando voltou para buscá-la, denunciou o desaparecimento à polícia. Interrogando colegas da garota, os investigadores souberam que ela gostava de sessões de bate-papo pela internet. Reis foi descoberto pela investigação feita na correspondência eletrônica de Christina, onde havia uma mensagem marcando encontro no shopping. A investigação passou a ser feita pelo FBI. Segundo o procurador de Justiça dos EUA, John A. Danaher III, Reis confessou o crime, alegando que estrangulou a menina acidentalmente quando mantinham relações no carro. Ele também teria dito que não foi o primeiro encontro. Considerada dócil e bem-comportada pela família, amigos e professores da escola católica onde estudava, Christina, conforme apurou a polícia, possuía um site na internet com conteúdo erótico e teria mantido relações com outros rapazes com quem se correspondia. Segundo Angela Bell, porta-voz do FBI em Washington, este é o segundo caso envolvendo o uso da internet num crime de homicídio investigado pela polícia federal americana. A participação de Reis no crime também chocou seus conhecidos. O argentino Omar Romero, seu vizinho, descreveu o rapaz e sua mulher como pessoas muito quietas. Tom Heaslip, zelador do prédio onde o rapaz alugou o apartamento em que morava havia dois anos, disse a um jornal local que era um bom inquilino. Segundo Heaslip, é surpreendente que o brasileiro tenha conseguido se comunicar com Christina porque ele não fala inglês muito bem. Reis usava o computador da mãe, Silviani Arruda, com o provedor America Online, e tinha como pseudônimo nas sessões de bate-papo Hotes300. No sábado, por intermédio do provedor, os policiais chegaram até Silviani e seu filho. Na segunda-feira, o rapaz admitiu ter se encontrado com Christina e levou os investigadores até um pequeno córrego numa estrada vicinal em Greenwich, onde estava o corpo da garota. O FBI está investigando se Reis também manteve encontro com outras menores que conheceu pela internet.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.