Juiz preso na Hurricane deu liminares para bingos no PR

O desembargador Ricardo Regueira, preso na Operação Hurricane, foi o principal responsável por autorizar o funcionamento de duas casas de bingo, no ano passado, no Paraná. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 19, pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná. De acordo com o governo, foi dele o voto de desempate e também a ele é atribuída a argumentação que fez com que o relator do processo, desembargador Sérgio Schwaitzer, mudasse o voto e concedesse liminar para a reabertura dos bingos Village Batel e Bristol. Segundo matéria publicada no Estado, nas investigações sobre a venda de decisões judiciais favoráveis aos bingos, a PF acompanhou de perto - às vezes, de uma mesa no mesmo restaurante - encontros dos desembargadores federais José Eduardo Carreira Alvim e Ricardo Regueira com representantes dos chefes do jogo. O trabalho incluiu o uso de aparelhos sofisticados para registro de imagem e cruzamentos com informações de bancos de dados da PF e de outras origens. Até seguranças de alguns participantes das reuniões foram fotografados, assim como os carros de todos, que tiveram placas e propriedade checadas. Um dos encontros monitorados ocorreu em 18 de janeiro, no Restaurante Fratelli, na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Uma dupla de agentes da Divisão de Contra-Inteligência Policial da PF se deslocou para o restaurante. Às 13 horas, chegou o advogado Jaime Garcia Dias. Ele reservara uma sala para garantir a privacidade do grupo. Carreira Alvim chegou pouco depois acompanhado do genro, Silvério Luiz Nery Cabral Júnior, que dirigia uma Pajero. Depois, vieram mais três homens, entre eles José Renato Granado Ferreira, da empresa Betec Games, beneficiada por uma decisão de Carreira Alvim que liberou 900 máquinas caça-níqueis que haviam sido apreendidas pela PF. O encontro só acabou às 17h30. Para ir embora, Carreira Alvim, mais uma vez, pegou carona com Silvério Júnior. Um dos fatos registrados pela PF foi a intimidade entre alguns participantes: ao se despedir, Jaime beijou Carreira Alvim e Granado Ferreira. Outro encontro, este com a participação de Regueira, ocorrera em 4 de janeiro no Restaurante Borsalino, também na Barra. Às 13h10, os policiais viram em uma mesa o procurador João Sérgio Leal Pereira, lendo papéis e esperando os demais. Às 13h40, chegaram Jaime e Silvério, em uma BMW, escoltados por três seguranças que ocupavam um Astra. Jaime, Silvério e o procurador foram para uma mesa externa. Regueira chegou às 14h05, em um Nissan. Regueira e os outros almoçaram, beberam vinhos e destilados e arremataram fumando charutos. Os agentes registraram ainda que o procurador tinha a seu lado um envelope pardo, que levou ao ir embora. A reunião só acabou às 17h40. Na despedida, abraços entre Regueira, Jaime, João Sérgio e Silvério Júnior. Os quatro acabariam presos cerca de três meses depois.

Agencia Estado,

20 Abril 2007 | 14h15

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