Juiz que atropelou e matou rapaz se defende

O juiz de Direito Paulo Robeto Corrêa, que, na última quinta-feira, perdeu a carteira de habilitação por decisão do Detran-RJ, que o julgou culpado de atropelar e matar um estudante há um ano, defendeu-se nesta sexta-feira, informando que não fugiu do local do atropelamento e que, ao contrário do que diz a família do rapaz, prestou, sim, socorro à vítima.O estudante Thiago Silva Rocha, de 16 anos, andava de bicicleta pela Avenida Brasil, em outubro do ano passado, quando foi atingido pelo automóvel do juiz, da comarca de Angra dos Reis, que voltava para o Rio.?Meu pára-brisa quebrou e eu não conseguia dirigir, porque não enxergava nada. Parei a uns 50 metros do local do impacto e ao saltar e olhar para trás, vi um corpo estendido na pista. Liguei, do meu celular, para a Coordenadoria Militar do Tribunal de Justiça, visando obter socorro para a vítima?, afirmou Corrêa, em e-mail divulgado nesta sexta-feira pela assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça do Rio.Segundo o juiz, o dono de um outro carro que passava pelo local no momento do acidente comentou com ele que o rapaz se desviara de seu automóvel e fora para o meio da pista com a bicicleta.O magistrado nega que o corpo de Thiago tenha sido arrastado pela via, o que foi relatado à polícia, à época, por testemunhas. ?Ele foi atingido pela parte dianteira do meu carro, bateu no pára-brisa, passou por cima do carro e caiu atrás, ficando estendido no meio da pista?, afirmou Corrêa.O juiz disse ainda, através do e-mail, que não prestou depoimento na delegacia da área, porque, ?por norma constitucional, um juiz tem foro privilegiado, e a investigação fica a cargo do Tribunal de Justiça, com base nas peças colhidas pela polícia.?Ele acrescentou: ?Dizer que que eu fugi do local não tem qualquer fundamento. Lamento o acidente que tirou uma vida e compreendo a dor que a mãe do rapaz está sentindo.?O juiz garante que não foi comunicado da decisão da Comissão Cidadã do Detran-RJ, que suspendeu sua habilitação até que ele se submeta aos exames requeridos de quem está tirando a primeira carteira de motorista.A presidente da comissão, Vera Dias Carneiro, disse que o juiz tem o direito de entrar com recurso para tentar revogar a suspensão da carteira, mas ressalvou que a comissão entendeu que o juiz ?dirigia perigosamente?.?Foram levados em conta o laudo cadavérico e o estado em que ficou a bicicleta. O juiz teve amplo direito de defesa?, disse Vera, que preside a Associação das Vítimas do Trânsito e também perdeu um filho atropelado, em junho de 1990.O Detran já cassou outras 15 carteiras de motoristas que cometeram infrações consideradas graves ou gravíssimas pelo Código Nacional de Trânsito.A comissão foi formada em outubro do ano passado, para punir no âmbito administrativo quem dirige perigosamente. Membros do Detran, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), das secretarias de Estado de Segurança Pública e de Transportes e da Associação de Vítimas do Trânsito compõem o grupo. Mais de 70 processos estão sendo analisados.

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