Juiz que soltou serial killer de Luziânia rebate crítica de ministro e senadores

Para juiz, episódio da morte dos jovens é resultado de possíveis falhas na legislação e na estrutura do sistema penitenciário brasileiro

Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2010 | 13h59

BRASÍLIA - O juiz Luís Carlos de Miranda, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal (DF), rebateu nesta sexta-feira, 16, as críticas de autoridades à sua decisão de libertar, em dezembro do ano passado, Admar Jesus da Silva, assassino confesso de seis jovens em Luziânia neste ano.

 

Veja também:

linkAcusado de matar adolescentes em GO tinha 3 documentos de identidade

 

Entre os críticos do magistrado estão o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e senadores da CPI da Pedofilia. "Qualquer senador, qualquer ministro vir a público falar o que não conhece, o que não sabe, para simplesmente falar que houve um erro, criticar sem conhecer a realidade do que está acontecendo, isso não é aceitável. O Judiciário não pode ficar sendo alvo desse tipo de atuação injusta, impensada", afirmou o juiz, em entrevista coletiva.

 

Miranda apresentou aos jornalistas todos os argumentos que o levaram a conceder o regime aberto para Admar da Silva, que cumpria, desde 2005, pena de 10 anos por atentado violento ao pudor. Segundo o juiz, não havia nenhum laudo psicológico que impedisse a Justiça de conceder o benefício. Admar confessou que matou os jovens durante o período em que ficou solto. Os crimes teriam começado em janeiro. "Todo juiz, ao soltar, tem risco de o apenado cometer um crime na frente", disse. "O juiz não pode, por sua cabeça, dizer que alguém pode reincidir", ressaltou.

 

O juiz disse aceitar apenas as críticas dos familiares das vítimas. "Isso tem de ser respeitado. Eles estão no direito deles", afirmou. Miranda argumentou que o episódio da morte dos jovens de Luziânia é resultado de possíveis falhas na legislação e na estrutura do sistema penitenciário. "No caso dele (Admar), só prisão perpétua (proibida pela lei brasileira)", afirmou.

 

No Distrito Federal, frisou o juiz, há apenas 9 psicólogos e dois psiquiatras para avaliar 8 mil presos. Segundo ele, os laudos apresentaram que Admar não sofria de doença mental. Por ter cumprido um sexto da pena e ter bom comportamento, não havia obstáculos para obtenção do benefício de liberdade domiciliar. "Não há contradição entre os peritos. Não há como dizer que eles erraram", disse.

 

O magistrado lembrou ainda que a Justiça do DF nunca foi comunicada sobre o mandado de prisão que já havia contra Admar na Bahia. Ele reclamou da ausência de um sistema integrado de mandados de prisões entre os Estados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.