Juiz reconhece mulher como filha de Alencar

Como vice-presidente se recusou a conceder material genético para exame de DNA, Justiça considerou sua decisão como presunção de paternidade

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

O juiz José Antônio de Oliveira Cordeiro, da Comarca de Caratinga, concedeu à professora aposentada Rosemary de Morais, de 55 anos, o direito de adotar o sobrenome do vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, em ação de investigação de paternidade instaurada em 2001.

O pedido feito pela professora foi julgado procedente na última terça-feira. A decisão é em primeira instância e cabe recurso.

Na ação, Rosemary alegou que a mãe, Francisca Nicolina de Moraes - que morreu há sete meses -, conheceu Alencar em meados de 1953, quando ambos moravam em Caratinga. Segundo a ação, na época ele já era um próspero comerciante de tecidos na cidade e os dois iniciaram um relacionamento.

Durante o processo, a defesa de Alencar pediu a extinção da ação. O vice-presidente se recusou a conceder material genético para a realização do exame de DNA que poderia comprovar ser ele o pai de Rosemary. O fato foi considerado presunção de paternidade. O processo corre sob sigilo. O advogado Geraldo Jordan de Souza Júnior, que representa a professora, disse que a decisão deverá ser publicada hoje.

Certidão. Segundo ele, o juiz determinou a inscrição do nome de Alencar e de seus pais na certidão de nascimento da professora e outros registros e que ela passe a se chamar Rosemary de Morais Gomes da Silva.

"Estou deixando as coisas acontecerem. Como se diz, a minha ficha não caiu ainda, não. Primeiro está na mão de Deus e segundo está na mão da Justiça. O que a Justiça decidir...", comentou ontem Rosemary, em conversa por telefone com o Estado.

A professora diz que foi informada pela mãe de que era filha de Alencar há 14 anos. A história foi confirmada pelo pai de criação.

Rosemary afirma que desde então se encontrou apenas duas vezes com o vice-presidente. "Nunca tive oportunidade de sentar com ele e conversar", lamentou. "Ele pode recorrer, então eu só vou ficar tranquila quando tiver tudo terminado mesmo."

Adriano Silva, chefe de gabinete de Alencar, afirmou que o vice-presidente não havia sido informado oficialmente da decisão e por isso não iria comentá-la.

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