Juiz suspeito de vender habeas-corpus se afasta do cargo

O desembargador Pedro Aurélio Rosa de Farias, do Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal, pediu afastamento do cargo nesta segunda-feira. Ele deve ficar longe do tribunal durante a sindicância que apura suspeita de que teria vendido decisão judicial favorável a um traficante de drogas.No ano passado, um acusado de tráfico de entorpecentes pediu habeas-corpus e Farias concedeu. Depois, o desembargador recuou, porque se teria convencido da participação do suspeito, e determinou sua prisão.Farias disse que, como juiz criminal, de cada 100 processos relacionados a tráfico de drogas proferiu 97 ou 98 condenações. Juiz há 28 anos, o desembargador afirmou ter aberto seu sigilo e pediu investigação minuciosa. "Acusações de tal jaez são insuportáveis para um juiz, especialmente para mim, que sempre pautei minha vida pessoal e profissional na maior correção possível", afirmou o desembargador em uma nota oficial. "Não acredito que os bandidos que matam juízes pelo Brasil afora, aqui no DF consigam obter crédito em suas palavras para matar a carreira de um juiz que nunca compadeceu com o crime, muito menos o de tráfico de drogas", acrescentou Farias em nota distribuída à imprensa.

Agencia Estado,

14 de abril de 2003 | 18h44

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.