Juíza decide sentença do menor envolvido no caso João Hélio

A juíza Adriana Angeli de Araújo, da 2ª Vara da Infância e da Juventude, remarcou para esta quinta-feira, 22, a entrevista em que vai anunciar a sentença do menor envolvido no assassinato do garoto João Hélio Fernandes, de 6 anos, arrastado por sete quilômetros depois que o carro em que estava foi roubado por quatro assaltantes, em 7 de fevereiro.E., de 16 anos, acusado por ato infracional e formação de quadrilha, é um dos cinco criminosos que assaltaram a mãe de João Hélio, Rosa Cristina Fernandes, junto com a irmã dele, Aline, de 13 anos, no dia 7 de fevereiro. O menino estava com a mãe e a irmã dentro de um Corsa quando a família foi abordada num sinal de trânsito na zona norte do Rio de Janeiro. Aline deixou o carro, assim como Rosa, que tentou tirar João do cinto para ajudá-lo a sair. Mas os assaltantes arrancaram antes, e o menino ficou pendurado do lado de fora, preso ao cinto.Os bandidos rodaram por cerca de sete quilômetros e chegaram a correr em ziguezague para se livrar do corpo do menino. Vários motoristas tentaram alertá-los e pediram que eles parassem o carro, mas os bandidos ignoraram os apelos. Os quatro maiores de idade são indicados por latrocínio e formação de quadrilha, mas a promotoria não os acusou de corrupção de menores pois, para o Ministério Público, o menor envolvido não teria sido convencido a participara da ação.As acusaçõesDiego Nascimento da Silva, de 18 anos: Indiciado sob as acusações de latrocínio e formação de quadrilha armada.Carlos Eduardo Toledo Lima, de 23 anos: Indiciado sob as acusações de latrocínio e formação de quadrilha armada.Tiago Abreu Matos, de 19 anos: Indiciado sob as acusações de latrocínio e formação de quadrilha armada.Carlos Roberto da Silva, de 21 anos: Indiciado sob as acusações de latrocínio e formação de quadrilha armada.E. , de 16 anos: Acusado de ato infracional análogo aos crimes de latrocínio e formação de quadrilha armada.Cronologia7 de fevereiro: João Hélio Fernandes, de 6 anos, foi arrastado por sete quilômetros preso ao cinto de segurança do carro de sua mãe, que havia sido roubado, na zona norte do Rio de Janeiro.8 de fevereiro: Diego Nascimento da Silva, de 18 anos, confessa ter dirigido o carro roubado, mas disse que não percebeu que o menino estava preso ao cinto.13 de fevereiro: Sob vaias e ameaças os acusados da morte de João Hélio chegam à delegacia para acareação com o delegado Hércules Pires do Nascimento, que investiga o caso. Ele queria ouvir Carlos Roberto da Silva, de 21 anos, Carlos Eduardo Toledo, o Dudu, de 23 anos, Tiago Abreu Matos, de 19, e Diego Nascimento da Silva, de 18 anos, para saber que participação cada um teve no crime.14 de fevereiro: Câmara aprovou que os condenados por crimes hediondos terão direito ao benefício de progressão de pena e liberdade provisória depois de cumprirem 1/3 da pena. No caso dos reincidentes, terão de cumprir pelo menos metade da pena para ter o benefício. Antes, mesmo para os condenados por crimes hediondos, o benefício só era para quem cumprisse 1/6 de pena. Na prática, um condenado a 30 anos podia pleitear mudanças na internação depois de cinco anos. Com a mudança, quem tiver condenação semelhante só poderá pleitear benefícios com dez anos.14 de fevereiro: De acordo com o projeto aprovado na Câmara agora é considerado falta grave o porte ou uso de telefones celulares e aparelhos de rádio comunicação dentro dos presídios. Além disso, agentes penitenciários e diretores de cadeias que facilitarem a entrada desses objetos nos presídios podem ser condenados de três meses a um ano de prisão.15 de fevereiro: A Polícia Civil do Rio realizou uma simulação do crime para reforçar o depoimento de duas testemunhas-chave que foi essencial para identificar o assaltante que dirigia o veículo. 15 de fevereiro: Câmara dos Deputados aprovou o terceiro projeto de um pacote de medidas de segurança pública. O projeto de lei agrava a pena dos criminosos maiores de idade que usarem menores nas ações criminosas. A Comissão de Direitos Humanos do Senado também sancionou projeto com proposta semelhante.16 de fevereiro: Rosa Cristina Fernandes, mãe de João Hélio, dá depoimento na polícia e desmente versão dos criminosos. Eles disseram que usavam arma de brinquedo no momento do assalto, mas, segundo ela, o som produzido no vidro do carro era feito por armas de metal que foram apontadas contra às vítimas.27 de fevereiro: Ministério Público do Rio de Janeiro apresenta denúncias contra os acusados. Os quatro assassinos maiores de 18 anos não foram acusados de corrupção de menores pois, para o MP, o menor envolvido no crime não teria sido convencido a participara da ação.28 de fevereiro: No Senado, o governo adiou para o dia 28 a votação, na Comissão de Constituição de Justiça, sobre a redução da maioridade penal para 16 anos, nos casos de crimes hediondos. Também no dia 28 será examinada a emenda que propõe a criação de uma lei que, excepcionalmente, poderá desconsiderar o limite de punição penal.18 de março: Família e amigos fazem homenagem a João Hélio, que completaria 7 anos. Seus pais levaram flores ao cemitério e prometeram que continuariam participando de manifestações pela paz no País.

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