Juíza inocenta ex-delegado de acusação de tráfico

Ricardo de Lima era apontado como facilitador de furto de 340 kg de cocaína do IML de Campinas

Bárbara Souza, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2009 | 00h00

A Justiça inocentou o ex-delegado Ricardo de Lima da acusação de tráfico de drogas e facilitação para o furto de 340 quilos de cocaína, em janeiro de 1999, do prédio do Instituto Médico-Legal (IML) de Campinas, interior de São Paulo. Apreendida na zona rural de Indaiatuba e avaliada na época em R$ 22 milhões, a droga foi encontrada pela equipe de Lima, então titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise). O Grupo de Atuação Especial Regional de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual (MPE) recorreu da decisão da juíza Patrícia Suarez Pae Kim, da 1ª Vara Criminal de Campinas.A sentença foi proferida no dia 8 deste mês. No dia 22, a promotora do Gaeco Luciana Ribeiro Guimarães entrou com recurso contra a decisão. "Entendemos que é caso de condenação. Estamos convencidos de que concorreu para o crime", disse Luciana. Na época, Lima havia declarado à imprensa que o IML era um local sem segurança para armazenar a droga apreendida. A droga desapareceu cinco dias após a apreensão. Para a promotora, o ex-delegado deveria manter a droga em local adequado.O advogado de defesa, Carlos de Araújo Pimentel Neto, alegou, no entanto, que era "de conhecimento público", incluindo juízes, policiais e promotores, que toda a droga apreendida em Campinas e região era depositada no IML. "Nada foi comprovado contra ele", disse. Para Pimentel Neto, a Justiça absolveu Lima por ter entendido que ele agiu na "mais perfeita retidão", ao armazenar a droga no IML de Campinas, e que não houve delito.MARIA DO PÓAs investigações apontaram que a droga pertencia a Sônia Aparecida Rossi, a Maria do Pó, considerada uma das dez maiores traficantes do Estado. Ela chegou a ser presa na ocasião, mas negou ser a dona da droga e foi solta por Lima, que a arrolou apenas como testemunha. Maria do Pó, integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), fugiu da Penitenciária de Sant?Anna, no Carandiru, em 2006. Ela foi condenada a 54 anos por tráfico de drogas.MOTORISTALima também foi investigado pela CPI Federal do Narcotráfico e chegou a ser preso. Ele ficou um mês na cadeia. Depoimentos de um ex-motorista de Maria do Pó levaram os deputados federais a suspeitarem de que Lima tivesse devolvido a droga a ela e recebido, em troca, R$ 500 mil. A denúncia não foi comprovada. Outros seis policiais, entre delegados e investigadores, foram arrolados na investigação, mas ninguém foi preso. O processo contra Lima foi instaurado em 2004, após sua exoneração pelo então governador Geraldo Alckmin. COLABOROU ROSE MARY DE SOUZA

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