Juíza investigada por ligação com traficante é promovida

Gravações feitas pela PF revelam telefonemas entre a juíza e seu marido com traficante Bautista

Tiago Décimo, Agencia Estado

10 Setembro 2007 | 14h18

Suspeita de ligação com um esquema de tráfico internacional de drogas na região de Juazeiro, no norte baiano, a juíza Olga Regina Santiago Guimarães foi empossada, na manhã desta segunda-feira, 10, como titular da 47.ª Vara de Substituições da Comarca de Salvador.   A cerimônia, promovida pelo Tribunal de Justiça da Bahia e comandada pelo presidente do TJ, Benito Figueiredo, apresentou as promoções concedidas a cinco magistrados do interior baiano, por merecimento ou por antigüidade - este último, o caso de Olga.   A magistrada é investigada pelo envolvimento com o tráfico internacional por ter liberado, em 2001, diversos acusados de comércio de drogas presos pela Polícia Federal em Juazeiro, onde trabalhava. Entre os detidos estava o empresário colombiano Gustavo Durán Bautista, preso em flagrante em agosto, no Uruguai, com 485 quilos de cocaína.   Bautista mantinha, em Juazeiro, uma fazenda e uma empresa de exportação e importação de frutas e estaria ligado ao cartel do narcotraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, preso no mês passado, em São Paulo. A PF descobriu, em 2001, que pacotes de cocaína eram acondicionados em fundos falsos das caixas de frutas exportadas para a Europa. Olga, porém, libertou os principais acusados, argumentando que eram apenas usuários de drogas.   Gravações feitas pela Polícia Federal revelaram telefonemas entre a juíza e seu marido, Balduíno Santana, e Bautista. Neles, a juíza garantia ao traficante que não havia registros nos antecedentes criminais do empresário e seu marido negociava o pagamento de suborno, por parte de Bautista, pela liberação da prisão.   Na saída da cerimônia de posse, Olga limitou-se a dizer um "com certeza" quando perguntada se era inocente das acusações de envolvimento com o tráfico. Seu advogado, Mauricio Vasconcelos, também garantiu que ela é inocente. "Vamos provar que ela é uma pessoa íntegra", afirmou.   Para o presidente do TJ, a denúncia contra a magistrada é grave e precisa ser apurada, mas por enquanto, ela está mantida no cargo à qual foi promovida. O TJ abriu, hoje, inquérito para investigar a juíza. O relator do processo, desembargador Antonio Roberto Gonçalves, não quis se pronunciar sobre o caso, alegando que ele corre em segredo de justiça.

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