Vagner Antônio/TJMG
Vagner Antônio/TJMG

Juíza marca novo julgamento de Bruno para março de 2013

Além do goleiro, também serão julgados o ex-policial Bola e a ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues

Marcelo Portela - especial para O Estado de S. Paulo - texto atualizado às 20h,

21 de novembro de 2012 | 11h40

BELO HORIZONTE - Após dois dias marcados por manobras da defesa dos acusados de envolvimento no sequestro e assassinato de Elisa Samudio, o ex-amante da vítima, o goleiro Bruno Fernandes conseguiu nesta quarta-feira, 21, ser excluído do julgamento do caso que ocorre desde segunda-feira no fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Depois de determinar o desmembramento do processo, a juíza Marixa Fabiane Lopes marcou para 4 de março de 2013 o novo julgamento do atleta. Com isso, permaneceram no atual processo apenas o braço direito do jogador, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e uma ex-namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro.

 

No dia 4, além de Bruno, que é acusado do sequestro, cárcere privado, assassinato e ocultação do cadáver de Elisa, também devem ser julgados o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, a ex-mulher do jogador, Dayanne Rodrigues do Carmo, Wemerson Marques de Souza, conhecido como Coxinha, e Elenílson Vitor da Silva. Bruno e Bola vão aguardar o julgamento presos.

 

Na noite desta quarta, o julgamento ainda estava em andamento e a estimativa era de que a sessão fosse encerrada apenas nesta madrugada. Além de ouvirem uma série de testemunhas presenciais por meio de vídeo, havia previsão de que também fosse realizado o depoimento de Macarrão. A expectativa da acusação era de que o acusado confessasse sua participação no crime, livrando o goleiro. "A confissão é boa para o réu. Eu não preciso dela. Nenhum deles vai escapar", afirmou o promotor Henry Wagner Vasconcelos, responsável pela acusação.

 

Uma das testemunhas ouvidas nesta quarta foi a mãe de Elisa, Sônia Fátima de Moura, que, apesar de dizer que "não guarda ressentimentos", afirmou não ser capaz de perdoar Bruno. O goleiro teve um filho com Elisa e a criança hoje está sob a guarda de Sônia, que contou ainda nunca ter recebido nenhum tipo de ajuda do jogador ou de sua família para criar o menino, batizado com o nome do pai. A recusa em reconhecer a paternidade da criança - que só ocorreu por determinação da Justiça - teria sido, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público (MP), o motivo que levou o atleta a planejar a morte da ex-amante.

 

Além de Sônia, foram ouvidas outras testemunhas da defesa, como Marcos Vinícius Carlindo, amigo de Macarrão. Na sessão foram exibidos também os depoimentos dos caseiros José Roberto e sua mulher Gilda Maria Alves, que trabalhavam no sítio de Bruno em Esmeraldas, também na região metropolitana da capital. Eles confirmaram que Elisa estava na propriedade com o bebê no período em que foi vista pela última vez, mas relataram não ter percebido nenhum ferimento ou ameaça à vítima. Os depoimentos foram gravados em vídeo porque as testemunhas pediram para ser ouvidas sem a presença dos acusados.

 

Manobra

 

Mas o maior burburinho no plenário foi causado mesmo pela exclusão de Bruno do processo. No primeiro dia do julgamento, o caso de Bola já havia sido desmembrado depois de seus advogados abandonarem o plenário. No dia seguinte, o goleiro destituiu seu principal advogado, Rui Caldas Pimenta, em manobra que o também defensor Francisco Simim admitiu ter o objetivo de adiar o julgamento do atleta. Porém, a juíza determinou o desmembramento apenas em relação a Dayanne, que também tem Simim como advogado.

 

Nesta quarta, porém, o goleiro finalmente conseguiu empurrar seu julgamento para o ano que vem ao nomear para sua defesa o advogado Lúcio Adolfo Silva, que pediu o adiamento para que tenha tempo para estudar o processo, composto por quase 15 mil páginas. Adolfo, que chegou a representar o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, em processos na Justiça mineira, vai integrar a defesa de Bruno ao lado de Simim e de Tiago Lenoir, nomeado pelo goleiro na terça-feira, um dia depois de divulgar no Twitter que o goleiro e Macarrão deveriam confessar o crime para reduzir a pena.

 

Ele alegou que fez as declarações como professor de Direito e que, apesar de não ter uma linha de defesa definida, deve manter a alegação de que não houve crime, já que o corpo de Elisa nunca foi encontrado. Ontem, Lenoir e Lúcio Adolfo não quiseram comentar o caso, mas não descartaram a possibilidade de tentar novamente conseguir a um habeas corpus para Bruno para que o goleiro possa aguardar o julgamento em liberdade. Apenas no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) já foram apresentados 64 pedidos de libertação dos acusados, todos negados.

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